O Irã alertou que o mundo deve se preparar para o petróleo atingir US$ 200 por barril. O comunicado surge em um cenário de intensificação das hostilidades, com forças iranianas atingindo navios mercantes e a Agência Internacional de Energia (AIE) recomendando a liberação massiva de reservas estratégicas para mitigar um dos piores choques no mercado de petróleo desde a década de 1970. A guerra, desencadeada por ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel há quase duas semanas, já resultou na morte de aproximadamente 2 mil pessoas, predominantemente iranianos e libaneses, e tem lançado o caos nos mercados globais de energia e transporte.
Escalada Militar e Reações Geopolíticas
Apesar dos ataques aéreos intensificados dos EUA e de Israel, o Irã demonstrou sua capacidade de retaliação ao disparar contra Israel e outros alvos no Oriente Médio. Relatos indicaram que três embarcações foram atingidas nas águas do Golfo Pérsico, com a Guarda Revolucionária do Irã afirmando que suas forças agiram contra navios que desobedeceram suas ordens.
As declarações sobre a duração do conflito são divergentes. Enquanto o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, assegurou que a operação continuará sem limite de tempo até que todos os objetivos sejam alcançados, o ex-presidente Trump sugeriu que a guerra não se estenderia por muito mais tempo, afirmando ao Axios que havia “praticamente mais nada” para atingir no Irã e que ele a encerraria quando desejasse. Paralelamente, o FBI alertou sobre a possibilidade de drones iranianos atacarem a costa oeste dos EUA, embora Trump tenha minimizado a preocupação. Trump também alegou a destruição de 28 navios iranianos lançadores de minas e previu a queda dos preços do petróleo. O Departamento de Estado dos EUA alertou para possíveis ataques iranianos e de milícias aliadas contra infraestruturas de petróleo e energia americanas no Iraque, citando incidentes anteriores contra hotéis frequentados por americanos.
Autoridades norte-americanas e israelenses reiteraram que seu objetivo central é erradicar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras e desmantelar seu programa nuclear.
Instabilidade no Mercado de Energia
Os preços do petróleo registraram forte volatilidade, subindo para quase US$ 120 por barril antes de recuar para cerca de US$ 90, e então saltando quase 5% em meio a novos temores sobre interrupção do fornecimento. Simultaneamente, os principais índices de ações de Wall Street apresentaram quedas. Anteriormente, os mercados acionários haviam esboçado uma recuperação, impulsionados pela aposta dos investidores em uma resolução rápida do conflito por parte de Trump.
Desafios no Estreito de Ormuz e Apelos por Paz
Outros indicadores apontam para a continuidade dos combates, com portos e cidades nos Estados do Golfo, além de alvos em Israel, sendo atingidos por drones e mísseis iranianos. Isso intensificou os apelos da Turquia e da Europa por um fim aos confrontos. Um oficial militar israelense confirmou que as forças armadas ainda possuem uma extensa lista de alvos a serem atingidos no Irã, incluindo instalações de mísseis balísticos e locais relacionados à energia nuclear.
A navegação segura pelo Estreito de Ormuz permanece incerta, com o canal, vital para cerca de um quinto do petróleo mundial, estando atualmente bloqueado. Trump afirmou que os navios “deveriam” transitar pelo Estreito, mas fontes indicaram que o Irã implantou aproximadamente uma dúzia de minas na passagem, agravando o bloqueio. Militares norte-americanos alertaram os iranianos para se manterem afastados de portos com instalações da Marinha iraniana, ao que o Irã respondeu ameaçando considerar centros econômicos e comerciais da região como “alvos legítimos” caso seus portos fossem ameaçados.
Respostas Globais à Crise do Petróleo
Com a alta dos preços dos combustíveis já impactando consumidores em vários países e a posição política desfavorável do Partido Republicano de Trump nas pesquisas para as eleições de meio de mandato em novembro, o custo do petróleo emergiu como um fator cada vez mais crítico nos cálculos geopolíticos da guerra. Em resposta, a Agência Internacional de Energia (AIE), que representa as principais nações consumidoras de petróleo, recomendou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais para estabilizar os preços – a maior intervenção desse tipo na história, prontamente endossada por Washington. O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, informou à CNBC que empresas petrolíferas americanas em breve anunciarão um aumento na produção.








