Estudantes de Gaza retornaram às escolas danificadas pela guerra com o início do novo ano letivo neste sábado (19).
Segundo o ministério palestino, cerca de 541 mil alunos estão de volta às escolas hoje.
A guerra causou graves danos ao sistema educacional de Gaza, resultando na morte de cerca de 22 mil estudantes e mais de 770 profissionais da educação — incluindo 532 professores —, de acordo com autoridades do ministério da educação.
O ministério informou também que mais de 85% das instalações de escolas públicas ficaram inoperantes.
Algumas foram completamente destruídas, enquanto outras estão situadas em áreas classificadas como zona de amortecimento da “linha amarela”, tornando-as inacessíveis para atividades educacionais.
A destruição da infraestrutura escolar obrigou as autoridades a suspender o ensino presencial e a buscar alternativas para os alunos, como o ensino remoto ou online.
Mais de 620 mil estudantes palestinos estão sem acesso à educação, diz ONU
As Nações Unidas alertaram que mais de 620 mil estudantes palestinos ficaram sem acesso à educação, já que 85% dos edifícios escolares em Gaza foram danificados ou destruídos em meio aos ataques israelenses.
Além disso, quase 30 mil estudantes e educadores foram mortos ou feridos no enclave devastado pela guerra desde que eclodiu a última rodada do conflito Israel-Hamas, em 7 de outubro do ano passado, disse a ONU.
Um relatório divulgado recentemente pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) mostrou que o direito à educação foi negado a cerca de 625 mil estudantes na Faixa de Gaza.
Até 27 de agosto, pelo menos 9.839 estudantes e 411 trabalhadores da educação no enclave sitiado foram mortos pelo bombardeio contínuo de Israel, e pelo menos 15.394 estudantes e 2.411 trabalhadores da educação ficaram feridos, disse o relatório.
Durante a guerra, 85% dos edifícios escolares de Gaza, ou 477 dos 564, foram diretamente atacados ou danificados, e esses edifícios necessitam de uma grande renovação ou de uma reconstrução completa, afirma o relatório.
Dados divulgados pela Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) mostraram que cerca de metade dos estudantes sem acesso à educação formal costumavam frequentar 284 escolas operadas pela agência, mas estas escolas foram forçadas a fechar devido à guerra, e muitas delas foram frequentemente atacadas pelas forças israelenses.
Cerca de 6.000 crianças palestinas em idade escolar na Cisjordânia, incluindo Tulkarem e Jenin, também foram diretamente afetadas pelo conflito atual, mostraram dados da UNRWA.
Dado que centenas de milhares de estudantes de Gaza perderam a oportunidade de regressar à escola para o novo semestre, as autoridades palestinas e as agências da ONU afirmaram estar buscando esforços para criar condições para que estas crianças tenham acesso à educação.

