Diversos setores da economia brasileira demonstram preocupação com a possibilidade de aplicação da Lei da Reciprocidade diante das tarifas de 25% impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Durante o Live CNN desta sexta-feira (17), a analista de Política Larissa Rodrigues afirmou que a medida, por ora, funciona mais como uma ameaça retórica do que como uma ação concreta a ser implementada.
“Não há uma expectativa, até porque brigar nessa altura com os Estados Unidos pode trazer muito mais problemas para o Brasil do que, de fato, ajudar nas negociações”, afirmou Larissa.
A analista destacou que o debate em torno da Lei da Reciprocidade, no momento, assumiu um caráter predominantemente político. “É um discurso muito político, de soberania”, afirmou.
Ela acrescentou que tanto a decisão norte-americana quanto a resposta brasileira e o posicionamento da oposição tornaram-se “apenas uma discussão política eleitoreira”, em vez de uma discussão na esfera econômica.
“Nesse momento, o Brasil está levantando verba, mesmo com o orçamento já apertado, para ajudar as empresas, e procurando novos mercados para exportação. Por enquanto, ouso dizer que a gente não vai ter essa reciprocidade saindo do papel“, pontuou a analista.
Lista de exceções e impactos
Com base em um balanço da Confederação Nacional da Indústria, pelo menos 4 mil produtos brasileiros foram sobretaxados, enquanto uma lista de exceções contemplou ao menos 429 setores.
“Todos os setores estão tentando algum tipo de benefício, seja entrar nessa lista de exceção ou ter alguma verba do Ministério da Fazenda, como há a expectativa para os próximos dias”, destacou Larissa.
A estimativa da CNI é de que US$ 2,3 bilhões deixarão de ser perdidos graças a essa lista ampliada de exceções. Já as perdas acumuladas desde a sobretaxação anterior de 10% chegam a pelo menos US$ 7 bilhões.
O Palácio do Planalto calculou prejuízos entre 5 e 7 bilhões de reais para os produtos que não entraram na lista de exceção.
Dois setores que ficaram de fora da lista de exceções chamaram atenção pela magnitude dos impactos projetados. O setor de madeira, que exporta para os Estados Unidos itens como molduras e portas de emergência, deve registrar um prejuízo de pelo menos 83% no volume exportado em relação ao período anterior à sobretaxação.
Já o setor de minerais não metálicos, que inclui produtos como granito, azulejo, tijolo, telha, laje e pavimentações, deve sofrer uma queda de pelo menos 56% em suas exportações.
“São matérias-primas que vão para os Estados Unidos, para a construção civil, e por isso há a expectativa de ter alguma ajuda para entrar em algum tipo de lista de exceção”, concluiu a analista.

