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Bradesco atende procura por segurança após Master, diz diretor

O caso do Banco Master gerou um movimento de busca por ativos de maior qualidade e o Bradesco atendeu a essa demanda, diz o diretor e co-head de Tesouraria do Bradesco Bruno Cardoso.

Segundo ele, os grandes bancos são o destino natural em crises. “Há procura por segurança e o Bradesco recebe esse tipo de fluxo”, afirma ao Capital Insights, programa fruto da parceria entre Broadcast e CNN Money.

Na entrevista, que vai ao ar hoje às 19h, o executivo avalia como saudáveis as discussões envolvendo o papel do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na cobertura do prejuízo gerado pela liquidação Master. “Espero que terminem com um desenho melhor.”

Quanto a casos de estresse de crédito de empresas, que balançaram o mercado de títulos de dívida de brasileira emitidos no exterior do ano passado para cá, Cardoso diz que, como diretor do banco, não fala sobre companhias, mas que o mercado navegou bem pelas crises, que o sistema financeiro nacional é “muito sólido” e o regulador funciona “muito bem”.

Para ele, a janela de captações externas por empresas brasileiras continua aberta no curto prazo, mesmo após registrar aumento de quase 40%, com forte demanda em janeiro. Neste ano, o banco abriu as emissões no mercado internacional, por oportunidade, diante do aumento da liquidez e apetite com a diversificação de investimentos.

“Fomos muito bem sucedidos. Estar no mercado externo é estratégico e não necessidade”, afirma. “Vemos vários players acessando o mercado. O pipeline é positivo”, completa, destacando operações que estão em preparo.

Ao falar da liquidez e realocação de recursos que estavam em ativos denominados em dólar, o executivo lembra que a moeda perdeu força com as incertezas geradas pelo governo de Donald Trump. Para ele, no entanto, o dólar continua a ser a moeda de reserva, sem substituto no mundo.

No cenário doméstico, a ausência de uma piora do cenário fiscal ajuda o real. “Não se deteriorou como esperado em 2025”, afirma, lembrando que o dólar saiu de R$ 6,18 no fim de 2024 para R$ 5,48 ao término do ano passado. “Temos um fiscal a resolver”, pondera.

“Me parece que o mercado, neste momento, precifica uma continuidade da política econômica atual, com maior probabilidade de vencer as eleições. Neste momento, tudo isso ainda é no campo muito especulativo, e não deveria ser o fator preponderante na formação dos preços dos ativos.”

Já a política monetária tem funcionado, ao promover a desaceleração da inflação corrente e das expectativas, permitindo ao Banco Central iniciar a redução dos juros básicos da economia. “A discussão está mais ligada ao ritmo e magnitude do corte”, destaca Cardoso.

“O que nos parece incomodar o BC é o mercado de trabalho apertado, desemprego na mínima, renda em alta. Não vão levar à postergação do corte, mas são variáveis que o BC monitora para definir o ritmo e ponto terminal desse ciclo.” Hoje, o Bradesco projeta redução de 300 pontos-base da Selic a partir de março, a passos de 50 pontos-base, com juro a 12% ao final de 2026.

No segmento bancário, Cardoso diz que as mudanças tecnológicas geram mais competição e que o cliente quer se servir digitalmente com qualidade. “Temos quase 20 milhões de clientes 100% digitais e chegaremos a 40 milhões”, aposta, citando o plano de transformação do Bradesco.

Nesta semana, o banco lançou a plataforma profissional de negociação de ativos de tesouraria EasyTrade, que inclui preços em tempo real, notícias de mercado da Broadcast e análises econômicas do Departamento de Pesquisas da instituição.

A entrevista completa do programa Capital Insights também está disponível em seu terminal Broadcast+, na aba Broadcast TV.

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