Ícone do site São Paulo Jornal

Câmeras, obras e foco nas mulheres: plano de Tarcísio para um 2º mandato

Mais câmeras e inteligência artificial na segurança pública, uma carteira superior a R$ 500 bilhões em projetos de infraestrutura e a promessa de colocar as mulheres como “prioridade absoluta” estão entre os principais eixos do plano de governo apresentado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) para um eventual segundo mandato no governo de São Paulo.

O documento registrado junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), referente ao período de 2027 a 2030, organiza as propostas em uma estratégia batizada de “Trilha da Prosperidade”. A maior parte das ações parte de programas criados ou ampliados durante a primeira gestão e propõe aumentar a escala dessas iniciativas nos próximos quatro anos.

Na segurança pública, a principal aposta é a tecnologia. O plano promete ampliar em 30% o Muralha Paulista e chegar aos 645 municípios do estado com mais de 160 mil câmeras e sensores interligados já nos dois primeiros anos de uma eventual segunda gestão. Atualmente, segundo o documento, 613 cidades — mais de 94% do total — participam da iniciativa. A campanha atribui ao sistema mais de 15 mil prisões.

A expansão vai além da instalação de câmeras. Tarcísio propõe criar o SP CIN, um novo Centro de Inteligência e Inovação que funcionaria 24 horas por dia, reunindo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Técnico-Científica, Bombeiros, guardas municipais, sistema penitenciário e Defesa Civil.

A ideia é cruzar dados e imagens em tempo real e ampliar o uso de inteligência artificial para orientar o policiamento. O plano também prevê um batalhão especializado de motocicletas e reforço da presença policial em corredores com maior incidência de roubos de celulares, quebra de vidros, furtos e roubos de veículos e crimes em áreas comerciais e próximas ao transporte público.

A proposta reforça uma das principais vitrines eleitorais de Tarcísio. O governador tem destacado a redução dos indicadores de homicídios, roubos e furtos, mas reconhecido que a melhora dos números ainda não é percebida da mesma maneira pela população. Em eventos recentes, tem citado principalmente roubos de celulares e motocicletas como crimes que afetam diretamente a sensação de segurança.

O segundo grande eixo é infraestrutura. O plano cria o SP Pra Toda Obra 4.0, com uma carteira que, segundo a campanha, deverá superar R$ 500 bilhões em investimentos.

O número, porém, não representa necessariamente R$ 500 bilhões retirados diretamente dos cofres estaduais. A carteira reúne diferentes modelos de investimento e amplia a estratégia de obras públicas, concessões e parcerias com a iniciativa privada adotada no primeiro mandato.

Hoje, o SP Pra Toda Obra está concentrado principalmente na malha rodoviária. Dados oficiais do governo apontam mais de R$ 30 bilhões em investimentos, mais de 1.500 intervenções e 22,3 mil quilômetros de rodovias contemplados.

Para o segundo mandato, Tarcísio pretende transformar a marca em um grande guarda-chuva de infraestrutura. Além de rodovias, metrô, trens e outros projetos de mobilidade, o programa passaria a incluir escolas, creches, Etecs, Fatecs, hospitais, AMEs, UBSs, CAPS, habitação popular, saneamento, drenagem, parques e obras de prevenção a enchentes.

Uma das novidades é o SP Pra Toda Obra Periferia. A proposta é priorizar os territórios mais vulneráveis e tentar reunir, em uma mesma região, investimentos em transporte, moradia, saúde, educação e infraestrutura urbana, em vez de tratar cada obra de maneira isolada.

As mulheres formam outro eixo com forte peso no documento. Tarcísio afirma no plano que ações de proteção, saúde e independência financeira desse público serão “prioridade absoluta” em um segundo mandato.

A proposta é ampliar o SP Por Todas, criado na primeira gestão, e reunir serviços e benefícios em uma plataforma única. Entre as políticas já existentes estão o aplicativo SP Mulher Segura, as Casas da Mulher Paulista e o auxílio-aluguel para vítimas de violência doméstica. O benefício paga R$ 500 mensais, inicialmente por seis meses, para mulheres com medida protetiva que atendam aos critérios de renda e vulnerabilidade.

Na segurança, o plano promete ampliar o monitoramento de agressores com tornozeleiras e levar para todo o estado o registro integrado de ocorrências de violência doméstica. A proposta é permitir que o atendimento iniciado pela Polícia Militar seja compartilhado com os demais órgãos, reduzindo a necessidade de a vítima repetir etapas do processo.

O documento afirma que nenhuma mulher acompanhada pelo sistema de medida protetiva e monitoramento por tornozeleira foi vítima de feminicídio desde a implantação da ferramenta. O dado é apresentado pela própria gestão no plano de governo.

Apesar das medidas, a violência contra a mulher permanece como um dos desafios para o próximo mandato. O próprio documento reconhece a dificuldade de alcançar vítimas que nunca procuraram o poder público antes de episódios extremos e propõe ampliar os mecanismos de identificação precoce de situações de risco.

O pacote voltado às mulheres também avança sobre emprego e renda. Uma das novidades é o Mães Empreendedoras SP, para mulheres com filhos de até 12 anos. A promessa inclui capacitação em horários adaptados à rotina materna, acesso a microcrédito, mentoria e até voucher-creche onde não houver oferta pública suficiente.

Na saúde, o Saúde Por Todas propõe uma linha de atendimento específica para diferentes fases da vida da mulher. Entre os temas citados estão prevenção e rastreamento de câncer, saúde menstrual e cuidados durante o climatério e a menopausa — períodos que o documento considera historicamente pouco contemplados pelas políticas públicas.

No conjunto, o plano de Tarcísio sinaliza mais continuidade e expansão do que uma mudança de direção para um segundo mandato. Programas que viraram marcas da primeira gestão ganham novas metas e maior abrangência: o Muralha Paulista cresce com mais câmeras e inteligência artificial; o SP Pra Toda Obra deixa de olhar apenas para estradas e passa a reunir uma carteira ampla de infraestrutura; e o SP Por Todas ganha espaço como uma das apostas políticas da campanha.

Sair da versão mobile