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Caso Benício: mensagens revelam oferta de dinheiro para vídeo adulterado

Uma troca de mensagens entre a médica Juliana Brasil e uma colega indica que ela tentou ocultar sua participação na morte de Benício Xavier de Freitas, em novembro de 2025, com a produção de um vídeo adulterado sobre o sistema do hospital no qual ela trabalhava.

Juliana alegou, mostrando a gravação de tela do site, que haveria um erro no próprio operador utilizado para prescrição médica.

Benício morreu após receber uma administração de medicamento incorreta feita pela médica em um hospital de Manaus, ter overdose de adrenalina e sofrer falência cardiorrespiratória.

A Polícia Civil do Amazonas indiciou Juliana pelos crimes de homicídio qualificado pelo emprego de veneno, falsidade Ideológica, uso de documento falso e fraude processual.

Na conversa, a que a CNN Brasil teve acesso, uma colega de profissão de Juliana cita o oferecimento de dinheiro para uma pessoa filmar o sistema de informática Tasy, usados em hospitais nos quais as duas profissionais trabalhavam para prescrição de receitas médicas.

“A minha funcionária da clínica e a enfermeira do [Hospital] Santa Júlia estão falando aqui agora que é verdade que o Tasy muda. Na hora, ofereci dinheiro para ela filmar”, disse a outra médica.

“Top. Vou ver se conheço alguém lá também”, responde Juliana. Veja abaixo:

De acordo com a polícia, essas constatações mostram a “clara menção ao pagamento de valores para realização do vídeo apócrifo“.

Em outra conversa, Juliana manda um áudio para uma colega e insinua que uma pessoa não teria se comprometido em realizar o vídeo que mostraria a falha no sistema operacional.

“Mas assim, amanhã vai chegar o vídeo para mim, já alterado“, escreveu a médica.

Segundo a indiciada, ela teria receitado administração de adrenalina via nebulização, no entanto, o site teria alterado a prescrição para intravenosa — o que, de acordo com relatório, era incompatível com o quadro clínico de laringite apresentado pelo menino.

A médica, no entanto, já havia afirmado em outra conversa que ela foi a autora do erro.

Após a conclusão do inquérito policial, a polícia indiciou Juliana pelos crimes de homicídio qualificado pelo emprego de veneno, falsidade Ideológica, uso de documento falso e fraude processual.

Relembre o caso

O menino deu entrada no Pronto-Socorro do Hospital Santa Júlia, em Manaus (AM), no dia 22 de novembro de 2025, por volta das 13h, após ter um quadro de febre e tosse seca durante uma semana. O jovem foi diagnosticado com laringite aguda, uma infecção causada na laringe por vírus.

No entanto, já na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pediátrica, após a introdução de 9 miligramas de adrenalina de concentração de 1 miligrama por litro, Benício evoluiu o quadro de saúde para insuficiência respiratória, precisando também ser entubado. O garoto teve parada cardíaca e precisou de suporte respiratório de máquinas.

Benício teve falência cardiorrespiratória e foi constatada morte cerebral às 2h55 do dia 23 após ter sangramentos.

A enfermeira que introduziu o medicamento negou a acusação informando que estava há sete meses no hospital e que não houve qualquer tipo de treinamento ou implementação de protocolos voltados a segurança do paciente. Ela, no entanto, confirmou ter conhecimento dos efeitos colaterais que a administração intravenosa de adrenalina poderia causar.

Em interrogatório, a médica responsável pela descrição, Juliana Brasil, teria dito houve um “bug” no sistema de cadastro das receitas do hospital, no qual ela teria pedido medicação inalatória, mas houve uma mudança para intravenosa. Ela afirma que avisou a mãe da criança que a adrenalina seria administrada por nebulização, quando o remédio é diluído em soro fisiológico.

Ou seja, o remédio foi aplicado sem verificação em Benício. Além disso, Juliana também continha um carimbo profissional inscrito “pediatria”, mas foi constatada a não capacitação profissional, segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina).

“A investigada não apenas assumiu o risco do resultado morte, como também se mostrou absolutamente indiferente à sua concretização, preocupando-se, desde os primeiros momentos, não com a vida da vítima, mas com a construção de estratégias para evitar sua responsabilização penal”.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Juliana Brasil. O espaço segue aberto.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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