Enquanto o impasse entre Estados Unidos e Irã se arrasta e o mundo aguarda na esperança de um acordo, a possibilidade muito real da retomada da guerra paira no ar.
O tempo está se esgotando, sendo que esta sexta-feira (1°) é o prazo previsto para o Paquistão receber uma nova proposta de paz do Irã, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou uma versão anterior.
Mediadores no Paquistão acreditam que um acordo justo está próximo e que agora cabe ao regime iraniano respondê-lo, de acordo com fontes.
Eles têm trabalhado incansavelmente para chegar a um acordo, mas, enquanto aguardavam a maior parte desta semana por essa resposta, os EUA e o Irã intensificaram suas ameaças e provocações.
Na quarta-feira passada – o primeiro dia em que se esperava que o Irã respondesse – Trump publicou uma imagem manipulada de si mesmo segurando uma arma na Truth Social, alertando aos líderes iranianos para “se organizarem”.
“Chega de ser bonzinho”, dizia a legenda.
Mais tarde, do Salão Oval da Casa Branca, o presidente americano acrescentou: “Neste momento, não haverá acordo a menos que concordem em não ter armas nucleares”.
Mas o Irã resistiu veementemente a essa exigência fundamental.
Em uma mensagem divulgada pela mídia estatal na quinta-feira, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que o país “salvaguardaria” suas capacidades nucleares e de mísseis, e que “atores estrangeiros” não têm lugar no Golfo Pérsico, exceto “nas profundezas de suas águas”.
Khamenei ainda não fez aparições públicas, por vídeo, ou divulgou mensagens de áudio, mais de sete semanas após sua nomeação como novo líder supremo e depois do assassinato do pai dele – mas ele já divulgou diversas mensagens por escrito.
Distanciamento entre Irã e EUA
Essas trocas de farpas parecem distanciar ainda mais as partes em conflito, quase quatro semanas após os EUA e o Irã terem chegado a um cessar-fogo temporário.
No final da quinta-feira, Trump afirmou que ninguém além dele e de algumas outras pessoas sabe o andamento das negociações com o Irã, sugerindo que elas estão avançando, apesar da aparente paralisação.
Mas as capacidades nucleares do Irã continuam sendo um grande ponto de atrito. Trump exige garantias sobre a contenção do programa nuclear iraniano, enquanto Teerã insiste em seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos.
Trata-se de uma linha vermelha crucial para ambos os lados, o que mantém a situação em um impasse.
O regime iraniano parece estar ganhando tempo, prolongando as negociações e enviando múltiplas propostas com avanços aparentemente graduais – talvez na esperança de que o presidente dos EUA eventualmente se canse da disputa, ou que a pressão política interna sobre a alta dos preços da gasolina o force a ceder.
Mas Trump estaria avaliando suas opções para forçar o país do Oriente Médio a retornar à mesa de negociações, incluindo a possibilidade de receber informações de oficiais militares sobre uma nova rodada de ataques ao Irã.
Sua estratégia preferida no momento, porém, é infligir o máximo de prejuízo econômico, disseram fontes familiarizadas com as negociações à CNN.
Os EUA estão se preparando para estender o bloqueio naval americano aos portos iranianos, incluindo o fechamento por tempo indeterminado do Estreito de Ormuz, afirmaram as fontes.
As forças americanas anunciou que interceptaram ou redirecionaram quase 40 navios que tentavam entrar ou sair de portos iranianos desde o início do bloqueio, no começo deste mês. Assim, Trump declarou a repórteres no início desta semana que “o bloqueio é genial”.
A Casa Branca também está pressionando governos estrangeiros a se juntarem a uma nova coalizão em apoio à liberdade de navegação na via navegável disputada, enquanto os EUA e o Irã mantêm seus respectivos bloqueios.
Consequências do impasse entre EUA e Irã
Mas as consequências econômicas também continuam crescendo, com os preços do petróleo atingindo o maior patamar em quatro anos e os preços da gasolina nos EUA disparando esta semana, à medida que os mercados se preocupam com o possível fracasso das negociações de paz para reabrir o Estreito de Ormuz.
O bloqueio dos EUA está claramente frustrando algumas autoridades em Teerã, sendo que tanto a liderança militar quanto o principal conselheiro militar do líder supremo, Moshen Rezaei, ameaçaram publicamente esta semana retaliar caso ele continue.
Na quinta-feira, porém, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf – que lidera as negociações em nome do Irã e se tornou a principal voz do regime – ridicularizou a ideia do bloqueio, apontando para as extensas fronteiras terrestres e marítimas do país.
“Se construírem dois muros, um de Nova York à Costa Oeste e outro de Los Angeles à Costa Leste, o comprimento total será de 7.755 km, o que ainda fica cerca de 1.000 km aquém das fronteiras totais do Irã”, escreveu Ghalibaf em uma postagem no X.
Ele acrescentou uma alfinetada pessoal ao secretário de Defesa dos EUA, escrevendo: “P.S. Para Pete Hegseth: 1 km = 0,62 milhas”.
Não está claro o que acontecerá depois desta sexta-feira se o Irã não responder favoravelmente com uma nova proposta. O que é certo, no entanto, é que ambos os lados estão preparados para um possível retorno aos combates caso não consigam chegar a um acordo sobre os termos da paz.

