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Departamento de Defesa dos EUA fecha compra para estocar vanádio da Bahia

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos fechou um contrato de cinco anos que poderá incluir o fornecimento de vanádio produzido na Bahia para o estoque estratégico do governo americano.

A Largo, empresa listada nas bolsas de Toronto e Nasdaq, informou que sua subsidiária Largo Resources USA recebeu um contrato da DLA (Agência de Logística de Defesa dos EUA) para fornecer até 2.876 toneladas de pentóxido de vanádio de alta pureza.

O material será destinado ao “National Defense Stockpile”, a reserva americana de materiais considerados estratégicos para segurança nacional, defesa e mobilização industrial.

O valor máximo informado pela companhia é de US$ 125 milhões. O contrato, no entanto, é do tipo IDIQ, sigla em inglês para entrega indefinida e quantidade indefinida. Na prática, esse modelo cria uma estrutura para que o governo americano faça pedidos ao longo do período contratado, mas não garante uma quantidade mínima de compra nem o uso integral do teto financeiro.

Segundo a empresa, os pedidos terão preço fixo por libra de V₂O₅, nome químico do pentóxido de vanádio, com prêmio sobre os índices de referência de 2026 e reajuste de 10% ao ano depois disso.

O vanádio é um metal usado principalmente para aumentar resistência e durabilidade de ligas metálicas. Ele tem aplicações em aço, ligas especiais, setor aeroespacial, defesa, indústria química e baterias de fluxo de vanádio, uma tecnologia usada para armazenamento de energia em larga escala.

No caso do contrato americano, o foco é o pentóxido de vanádio de alta pureza, uma forma processada do mineral usada como insumo em cadeias industriais mais sofisticadas.

O material da Largo é produzido na mina e no complexo químico Maracás Menchen, no interior da Bahia. A companhia afirma que a operação é uma das minas de vanádio de maior teor do mundo e a maior mina primária de vanádio em atividade.

A estratégia americana de estocagem faz parte de uma política mais ampla para reduzir vulnerabilidades em cadeias de suprimento consideradas críticas. O National Defense Stockpile funciona como uma reserva de materiais estratégicos que podem ser usados em situações de emergência, conflitos, interrupções logísticas ou necessidade de mobilização industrial.

A DLA Strategic Materials, área responsável por esse tipo de contratação, afirma que sua missão é reduzir ou prevenir a dependência dos Estados Unidos de fontes estrangeiras ou pontos únicos de falha para materiais essenciais em emergências nacionais.

A entrada da Largo nesse sistema coloca uma operação mineral brasileira dentro da cadeia de suprimento de defesa dos Estados Unidos. A empresa se apresenta como uma fornecedora “alinhada ao Ocidente” em um mercado concentrado. Segundo a companhia, China e Rússia respondem por cerca de 80% a 85% da produção mundial de vanádio.

O contrato ocorre em meio à disputa de grandes potências por cadeias de minerais críticos. Estados Unidos, União Europeia e outros aliados têm buscado reduzir dependência de fornecedores concentrados, especialmente em materiais usados em defesa, transição energética e tecnologias industriais avançadas.

 

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