Israel se beneficiaria de um acordo com o Líbano, mas “o diabo está nos detalhes”, segundo um ex-porta-voz das Forças de Defesa de Israel.
E o “único e mais importante fator” que influenciará a paz e a estabilidade em ambos os países é se o Hezbollah for ou não desarmado, disse Jonathan Conricus à CNN.
“Se o Hezbollah for desarmado por meio desse processo com o governo libanês, então poderá haver paz, estabilidade, prosperidade e muitas coisas positivas para os libaneses e para os israelenses”, disse Conricus nesta sexta-feira (17).
“Se o Hezbollah não for desarmado, isso significa mais guerras, combates, foguetes e sofrimento — e tudo se resume a saber se o governo libanês será realmente capaz de fazer o que prometeu e se comprometeu a fazer, mas que até agora não conseguiu ou não quis fazer.”
Em janeiro, o Líbano afirmou ter concluído a primeira fase de seu plano para desarmar o Hezbollah e outros grupos militantes no sul do país, mas Israel disse que esse progresso estava “longe de ser suficiente”.
Dois meses depois, o governo do Líbano declarou as atividades militares do Hezbollah ilegais, acrescentando que não possuía a força necessária para desarmar o grupo de forma eficaz por conta própria.
Questionado sobre se as forças armadas do Líbano são capazes de desarmar o Hezbollah hoje, Conricus disse: “Quando se analisa o equilíbrio de poder entre as duas organizações, o Hezbollah ainda precisa ser significativamente enfraquecido, militarmente falando.”
Nesta sexta-feira, horas depois de Israel e o Líbano terem concordado com um cessar-fogo, foi vista fumaça subindo da fronteira entre os países, ao norte do território israelense.
O cessar-fogo começou na quinta-feira (16), com uma trégua de 10 dias que entrou em vigor às 20h (horário de Brasília), sinalizando uma pausa no conflito de Israel com o Hezbollah, apoiado pelo Irã, que ocorreu paralelamente à guerra com o Irã. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou em um comunicado em vídeo que concordou com a pausa de 10 dias e que havia uma oportunidade de se chegar a um acordo histórico com o Líbano, embora ainda não estivesse claro se a trégua se manteria.
O Irã saúda o cessar-fogo no Líbano, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, segundo a agência estatal Tasnim. O porta-voz reiterou que o Líbano faz parte do cessar-fogo negociado entre o Irã e os EUA.
De acordo com o porta-voz, o Irã enfatizou desde o início “a necessidade de estabelecer um cessar-fogo simultâneo em toda a região, incluindo o Líbano, e continuou a tratar deste assunto com seriedade após as negociações de Islamabad “.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou anteriormente que o cessar-fogo no Líbano foi resultado da “extraordinária firmeza” do Hezbollah, mas alertou que Teerã o abordará “com cautela”.
Os ataques israelenses mataram mais de 2.100 pessoas no Líbano desde 2 de março e forçaram mais de 1,2 milhão a fugir, disseram as autoridades libanesas. Os ataques do Hezbollah mataram dois civis israelenses, enquanto 13 soldados israelenses morreram no Líbano no mesmo período, de acordo com Israel.
*Com informações da Reuters e da CNN

