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Dor no ciático que não passa: quando a cirurgia é a melhor saída?

A dor ciática é uma das causas mais comuns de limitação física em adultos e costuma gerar grande
apreensão. Em muitos casos, ela melhora com tratamento clínico, fisioterapia e mudanças de hábitos.

No entanto, quando a dor se torna persistente, intensa ou passa a comprometer a força e a sensibilidade das pernas, é fundamental reavaliar a conduta. Saber quando insistir no tratamento conservador e quando considerar a cirurgia faz toda a diferença no prognóstico.

O que caracteriza a dor ciática e por que ela persiste

A dor ciática ocorre quando o nervo ciático é comprimido ou irritado ao longo de seu trajeto, geralmente
na coluna lombar.

As causas mais frequentes incluem hérnia de disco, estenose do canal vertebral e
alterações degenerativas que estreitam o espaço por onde passam os nervos.

O sintoma típico é a dor

que começa na região lombar e irradia para o glúteo, coxa, perna e, em alguns casos, até o pé.
Na maioria das pessoas, o quadro é autolimitado e melhora em semanas.

A persistência da dor, porém, pode indicar compressão contínua do nervo, inflamação crônica ou instabilidade da coluna.

Nesses casos, a dor deixa de ser apenas um incômodo e passa a interferir no sono, no trabalho e nas atividades básicas do dia a dia.

Quando o tratamento clínico deixa de ser suficiente

O tratamento inicial da dor ciática é conservador e inclui analgésicos, anti-inflamatórios, fisioterapia e
fortalecimento muscular. Essa abordagem é eficaz para grande parte dos pacientes. Entretanto, alguns
sinais indicam que é hora de reavaliar a estratégia.

Dor intensa que não melhora após semanas de tratamento, piora progressiva dos sintomas, perda de
força na perna ou no pé, dormência persistente e dificuldade para caminhar são sinais de alerta.
Alterações no controle urinário ou intestinal representam urgência médica.

Nesses contextos, exames de imagem ajudam a identificar a causa exata da compressão e a definir se a cirurgia pode trazer benefício real.

Cirurgia da ciática: quando ela ajuda e o que esperar

A cirurgia é indicada quando há correlação clara entre os sintomas e a compressão do nervo,
especialmente nos casos de falha do tratamento clínico ou déficit neurológico progressivo. O objetivo do
procedimento é aliviar a pressão sobre o nervo, reduzindo a dor e prevenindo danos permanentes.

Com os avanços da neurocirurgia, muitos procedimentos hoje são minimamente invasivos, com incisões
menores, menor agressão aos tecidos e recuperação mais rápida. Em pacientes bem selecionados, os
resultados costumam ser bastante positivos, com alívio significativo da dor e retomada da
funcionalidade.

A decisão cirúrgica deve ser individualizada e tomada após conversa detalhada entre médico e paciente,
considerando riscos, benefícios e expectativas. Operar cedo demais pode ser desnecessário; esperar
demais pode comprometer a recuperação neurológica.

A dor ciática persistente não deve ser normalizada. Quando o desconforto deixa de ser episódico e passa a limitar a vida, investigar e decidir no momento certo é essencial. Com avaliação adequada e indicação precisa, a cirurgia pode representar não apenas alívio da dor, mas a chance de recuperar qualidade de vida e autonomia.

*Texto escrito pelo neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida (CRM/SP 150620 | RQE 66640), membro da Brazil Health

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