Em uma Copa do Mundo com 48 seleções, cada detalhe ganha ainda mais importância. No novo formato do Mundial de 2026, o critério disciplinar, definido pela pontuação de Fair Play, pode se transformar em um fator decisivo para as equipes que buscam avançar na competição.
A regra, que considera cartões amarelos e vermelhos como parte dos critérios de desempate, pode afetar o Brasil em diferentes cenários: na briga pela liderança do grupo, na definição do adversário no mata-mata e na disputa pelas vagas destinadas aos melhores terceiros colocados.
E a situação da Seleção já começou a aparecer na estreia contra Marrocos.
Empate deixou Brasil atrás nos cartões
Brasil e Marrocos terminaram a primeira rodada do Grupo C empatados por 1 a 1, em Nova Jersey. Como nenhuma das equipes conseguiu vantagem no confronto direto, saldo de gols ou número de gols marcados, o Fair Play passou a ser considerado.
Durante a partida, a Seleção Brasileira recebeu dois cartões amarelos: Casemiro foi advertido aos 37 minutos do primeiro tempo, enquanto Roger Ibañez levou cartão aos 43. Marrocos, por outro lado, encerrou o jogo sem punições disciplinares.
Pelo regulamento da Fifa, os cartões interferem diretamente na pontuação de Fair Play. Cada amarelo desconta um ponto, enquanto cartões vermelhos têm uma penalização maior. Com isso, o Brasil iniciou a competição com saldo de -2 nesse critério e ficou atrás dos marroquinos na classificação de desempate.
A liderança do grupo pode mudar o caminho no mata-mata
A colocação na fase de grupos terá uma influência maior em 2026 por causa do novo modelo de classificação.
Os líderes das chaves terão pela frente, na primeira fase eliminatória, um dos oito melhores terceiros colocados. Já os segundos colocados podem encontrar adversários mais fortes logo no início do mata-mata, dependendo da combinação dos grupos.
Por isso, terminar uma posição acima ou abaixo pode alterar completamente o planejamento de uma seleção. Uma equipe que perde a liderança por critérios de desempate, mesmo com campanhas semelhantes, pode acabar antecipando confrontos contra adversários tradicionais e encontrando um caminho mais difícil até a final.
Terceiros colocados aumentam a importância do Fair Play
O critério disciplinar também pode ser decisivo na classificação dos terceiros colocados.
Dos 12 times que terminarem nessa posição, oito vão avançar para completar o grupo de 32 equipes do mata-mata. Como essas seleções vêm de grupos diferentes, não existe confronto direto para resolver possíveis empates.
Nesse cenário, o regulamento compara as campanhas gerais. Caso várias equipes terminem com pontuações próximas, o número de gols marcados e o Fair Play podem definir quem continua na competição.
Uma seleção com muitos cartões pode ficar fora mesmo sem ter perdido a última partida e com uma campanha semelhante à de outra equipe classificada.
Suspensões seguem como preocupação
Além da tabela, os cartões também podem desfalcar o Brasil durante a competição.
O regulamento da Copa de 2026 prevê que os amarelos acumulados sejam zerados após a fase de grupos e novamente depois das quartas de final. Ainda assim, o jogador que receber dois cartões amarelos em partidas diferentes durante a primeira fase terá suspensão automática.
Isso significa que a Seleção precisará controlar o uso das faltas táticas, principalmente em jogos equilibrados.
A história recente mostra que esse tipo de situação já afetou o Brasil em Mundiais. Em 2014, Thiago Silva ficou fora da semifinal contra a Alemanha por suspensão, enquanto Casemiro não participou da eliminação para a Bélgica nas quartas de final da Copa de 2018.

