O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se referiu nesta quarta (29) ao presidente da Argentina, Javier Milei, como “aquela coisa” e disse que o chefe do Executivo do país vizinho cometeu uma “patacoada” ao discursar na convenção do PL, no último sábado (25), que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto.
“Vocês viram a patacoada que ele fez no final de semana. Eu não falei nada, porque minha relação é de chefe de Estado. Não vou ficar trocando coisa com aquela coisa”, afirmou o petista durante convenção do PSB. “Eu aprendi desde cedo que não sou melhor nem pior que ninguém. Quero ser igual. E enquanto eu for presidente e vivo ninguém vai meter o bedelho nas eleições brasileiras.”
De acordo com fontes, causou revolta ao Itamaraty e ao Palácio do Planalto o fato de as declarações do presidente argentino terem acontecido em território brasileiro.
Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”, acusou o governo brasileiro de “prender opositores” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como “lixo careca”. O mandatário argentino ainda criticou a política econômica do país.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, nesta quarta-feira. Na ocasião, o chanceler decidiu seguir monitorando as relações bilaterais e manter o diplomata no Brasil, segundo apurou a CNN.
O retorno do diplomata ao Brasil dependerá do arrefecimento das tensões entre os países, segundo relatos. Auxiliares de Lula descartam, sob reserva, uma volta imediata e falam que o embaixador deve ficar no Brasil por “semanas”.
Houve na reunião, contudo, uma avaliação de que declarações do ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, levaram tom mais conciliador à relação. O chanceler do país vizinho afirmou nesta quarta-feira (29) que “não há chance” de rompimento de relações entre os países por parte da Argentina.
“Quanto ao fato de o chanceler brasileiro ter convocado o embaixador argentino, isso é algo que nós não fazemos; não elevamos questões ao nível institucional. Mantemos as disputas eleitorais, bem como as diferenças políticas e ideológicas, dentro desse âmbito específico”, adicionou o ministro.

