A cidade de Urupês foi escolhida em um projeto do governo de São Paulo para oferecer tirzepatida (Mounjaro) de graça pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para tratamento da obesidade. O anúncio foi feito na quarta-feira (25), no Instagram da prefeitura do município da região noroeste paulista.
Conforme comunicado pelo prefeito Beto Cacciari (PL), o programa atenderá até 200 pacientes, que passarão por acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social.
“Iniciamos um projeto consistente, responsável, que com certeza trará resultados para a população, levando mais qualidade de vida, perda de peso consciente, e, mais do que isso, prevenindo doenças”, declarou Cacciari em vídeo publicado no Instagram.
São elegíveis para o tratamento em Urupês (SP) pacientes:
- na fila da cirurgia bariátrica e em vulnerabilidade social;
- com mais de 40 anos, exceto se o IMC for maior que 40 kg/m²;
- com IMC maior que 35 com comorbidade ou maior que 30 com duas comorbidades;
- que tenham tentado um tratamento sem auxílio de remédio por no mínimo seis meses.
Iniciativa similar já havia sido tomada pela prefeitura do município de Vilhena, em Rondônia, que lançou um programa para combater obesidade com oferta gratuita de Mounjaro em dezembro de 2025. Por lá, serão atendidas 80 pessoas com doses semanais progressivas de tirzepatida durante seis meses. Puderam participar do projeto pacientes com IMC acima de 40 e comorbidades como diabetes tipo II, hipertensão arterial, apneia do sono e esteatose hepática.
Qual o diferencial do Mounjaro e para quem é indicado?
O Mounjaro foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil em setembro de 2023 para o tratamento do diabetes tipo 2.
“Já existem outros medicamentos no Brasil da mesma classe, mas o Mounjaro tem um mecanismo de ação diferente, porque não é apenas um agonista, ou seja, ele não age apenas no receptor GLP-1, ele age também no receptor do GIP. Ele é o único medicamento dessa classe que age nesses dois receptores”, explica Luiz Magno, diretor médico sênior da Eli Lilly do Brasil, à CNN.
O medicamento deve ser usado no tratamento do diabetes associado a mudanças de estilo de vida, como a adoção de uma alimentação saudável e a prática de atividades físicas.
Em teste clínico, o Mounjaro levou ao controle da glicemia em 92% dos pacientes tratados com 15 mg do medicamento – eles conseguiram ficar com uma hemoglobina glicada abaixo de 7%, que é o nível recomendado pelas diretrizes médicas para o controle adequado do diabetes.
“Esse é um número muito importante”, afirma Magno. “Nós sabemos que, no Brasil, temos uma população gigantesca com diabetes, são mais de 16 milhões de pessoas. Dessas, 90% têm diabetes tipo 2 e estão com obesidade ou sobrepeso”, completa.
Mounjaro leva à perda de peso superior ao Wegovy
Em estudos recentes, o Mounjaro promoveu uma perda de peso relativa 47% maior do que o Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk, segundo dados de um novo estudo clínico anunciados em dezembro.
Segundo o trabalho, a tirzepatida levou a uma perda de peso de 20,2%, superior quando comparada a 13,7% de semaglutida (composto presente no Wegovy e, também, no Ozempic). Após as 72 semanas do estudo, o Mounjaro mostrou-se superior à semaglutida no desfecho primário e em todos os cinco desfechos secundários principais do estudo.

