O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, nesta terça-feira (5), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre a disputa pelo Palácio do Planalto. Entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), quem tem mais espaço para crescer?
Uma pesquisa eleitoral divulgada pelo Instituto Real Time Big Data mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno. Os números indicam que Flávio passou de 41% para 44%, enquanto Lula foi de 42% para 43% — uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores em todo o país entre os dias 2 e 4 de maio de 2026, com nível de confiança de 95%.
Os votos brancos e nulos recuaram de 10% para 7%, e os que declararam não saber ou não quiseram responder caíram de 7% para 6%.
Desgaste maior no campo da direita
José Eduardo Cardozo avaliou que a pesquisa revela um país polarizado e que a diferença de um ponto entre os candidatos configura, na prática, um empate técnico. Para ele, a principal vulnerabilidade está no campo da direita, onde diferentes candidatos — entre eles Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Zema — disputam o mesmo eleitorado. “A possibilidade de o digladiar dos candidatos à direita pode ser um elemento decisivo num processo em que eu tenho um candidato já consolidado”, afirmou.
Cardozo destacou ainda que Flávio Bolsonaro enfrenta um dilema estratégico ao tentar atrair eleitores do centro, distanciando-se da imagem de seu pai, Jair Bolsonaro. Segundo ele, essa postura gera reações de outros candidatos do mesmo espectro, que tentam se apresentar como mais alinhados à base bolsonarista. O analista também citou questões como a “rachadinha”, a mansão adquirida por Flávio e a loja de chocolates como temas que poderão ser explorados durante a campanha eleitoral.
Bortoletto aponta desgaste econômico do governo
Leonardo Bortoletto, por sua vez, divergiu ao enfatizar que o principal fator de desgaste recai sobre o atual governo. Para ele, a questão econômica é determinante em qualquer processo eleitoral, e o governo não tem conseguido reverter a percepção negativa da população sobre o poder de compra. “O poder de compra do brasileiro está verdadeiramente empobrecido”, afirmou, apontando o achatamento salarial e o aumento da taxação e da inflação como elementos centrais desse cenário.
O analista reconheceu que iniciativas como o Desenrola 2.0 representam tentativas do governo de manter sua relevância junto ao eleitorado, e que a queda do dólar na semana foi um dado positivo. No entanto, sustentou que, sem uma sinalização clara de melhora no poder aquisitivo, a tendência é de piora para o governo até as eleições. “Acredito que o governo Lula vai sair mais prejudicado”, concluiu.
Debate sobre teto eleitoral e polarização
Os dois analistas concordaram que a polarização entre esquerda e direita deve se manter até as eleições e que não há espaço relevante para uma terceira via. Cardozo argumentou que a esquerda tem a vantagem de contar com um candidato único e já consolidado, enquanto a direita tende a se fragmentar internamente. Ele citou ainda as tensões entre apoiadores de Flávio Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro, além dos ataques promovidos por defensores de Zema, como exemplos dessa disputa interna.
Bortoletto, por outro lado, ponderou que falar em “teto eleitoral no primeiro turno” seria prematuro, já que as campanhas ainda não foram apresentadas formalmente. Ao analisar a pesquisa detalhadamente, o empresário observou que a variação de Lula entre o primeiro e o segundo turno é muito pequena, o que indicaria que ele já estaria mais próximo de seu possível teto do que os candidatos da direita. Ambos reconheceram a dificuldade de fazer previsões seguras neste momento do processo eleitoral.

