A turista argentina Agostina Paez, de 29 anos, acusada de racismo, está com tornozeleira eletrônica e foi proibida de sair do estado do Rio de Janeiro. Seus pais chegaram ao Brasil, no último sábado (7), para acompanhá-la no processo judicial.
Em entrevista a TN, filiada da CNN na Argentina, ela disse “estou em perigo, recebo ameaças constantemente”.
Agostina é acusada de cometer injúria racial contra quatro funcionários de um bar em Ipanema, zona sul do Rio. O caso ocorreu no dia 14 de janeiro.
Ela foi presa na última sexta-feira (6), mas teve a prisão revogada no sábado (7).
A argentina explica que se sente muito exposta, diz que não quer mostrar seu rosto em lugar nenhum. “A mídia argentina me ajudou muito, mas aqui no Brasil, nada”.
Segundo ela, as autoridades locais estariam sendo mais “cruéis” em seu caso.
Sobre o ocorrido no bar dia 14 de janeiro, ela informou que não pode falar sobre. Mas, afirmou “Não menti sobre nada, e isso já foi comprovado. O que eu disse foi o que aconteceu.”
Agostina ainda pode ter que ficar mais 90 dias no Brasil, explicou seu advogado, Sebastián Robles. “É um processo muito longo, então temos que esperar”.
A turista pode ser chamada para depor nos próximos dias.
Relembre o caso
De acordo com o funcionário do bar, a confusão começou após uma discussão por causa de um suposto erro na cobrança da conta. Para esclarecer a situação, ele foi conferir as imagens das câmeras de segurança e pediu para que a mulher aguardasse no local.
Foi nesse momento que, segundo o relato do funcionário, a turista passou a fazer xingamentos racistas. O homem decidiu gravar a cena e, nas imagens, a mulher aparece imitando gestos de macaco e fazendo sons do animal em direção a ele. Assim que tomaram conhecimento do caso, os agentes iniciaram as buscas para localizar a suspeita.
Em depoimento, a argentina declarou que os gestos teriam sido uma brincadeira voltada às amigas e afirmou não ter a intenção de se dirigir ao funcionário. Nas gravações, é possível identificar o uso do termo “mono”, palavra em espanhol que significa “macaco”, além da reprodução de gestos associados ao animal.
No último dia 17 de janeiro, a turista teve o passaporte apreendido por determinação da Justiça do Rio de Janeiro e como medida cautelar, passou a usar tornozeleira eletrônica. “Estou presa, com medo. No Brasil, o crime de discriminação e racismo é grave, é por isso que tudo isso acontece”, relatou a mulher ao jornal argentino Info Del Estero.

