Emissões de rádio de um planeta localizado fora do Sistema Solar foram detectadas por uma equipe internacional do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian.
A descoberta analisa movimentos rápidos, recorrentes e altamente intensos, em frequências de 0,85 a 3,5 GHz, vindos do exoplaneta β Pictoris b.
Os sinais foram detectados pelo MeerKAT, radiotelescópio composto por 64 antenas localizado no Parque Nacional Meerkat, na África do Sul.
O que seria o sinal de rádio?
Os campos magnéticos dos planetas desempenham diversas funções, e até então, esses campos não haviam sido medidos diretamente em planetas localizados fora do Sistema Solar.
Uma das formas de investigar diretamente um campo magnético planetário é por meio da emissão de rádio auroral.
Esse tipo de emissão é produzido por elétrons acelerados ao longo das linhas do campo magnético. A frequência máxima da radiação permite determinar a intensidade do campo magnético na região em que a emissão é produzida.
Além disso, as características da emissão podem fornecer informações sobre a rotação do planeta, a obliquidade de seu campo magnético e o conteúdo de plasma de sua magnetosfera.
No Sistema Solar, emissões desse tipo já haviam sido observadas na Terra e nos quatro planetas gigantes, Júpiter, Saturno, Urano e netuno.
No caso do β Pictoris b, os pesquisadores identificaram rajadas de rádio rápidas, recorrentes e de alta intensidade, além de uma emissão persistente. Os sinais foram observados entre 0,85 GHz e 3,5 GHz, em quatro épocas, entre fevereiro de 2025 e maio de 2026.
De acordo com o estudo, o resultado representa a primeira medição direta da intensidade do campo magnético de um exoplaneta. O valor também é compatível com as previsões de modelos para um planeta gigante, jovem e massivo.
Os pesquisadores também chegaram à conclusão de que o β Pictoris b é o primeiro caso em que uma emissão de rádio é localizada em um exoplaneta e que está separado de sua estrela hospedeira.
Como foi possível a emissão de rádio?
As análises atribuem a emissão ao acoplamento entre a magnetosfera e a ionosfera de β Pictoris b. Esse processo é comparado ao que ocorre em Júpiter e em anãs ultrafrias. Em uma magnetosfera de rápida rotação, o plasma fornecido internamente não consegue acompanhar a rotação do planeta a grandes distâncias. Esse movimento relativo produz correntes alinhadas ao campo magnético, que aceleram elétrons em direção à atmosfera e podem alimentar a emissão auroral.
A potência da emissão depende de fatores como a taxa de rotação do planeta, a intensidade de seu campo magnético, a taxa de fornecimento de massa ao plasma e a condutância da ionosfera.
No caso de β Pictoris b, os pesquisadores destacam dois elementos observáveis que favorecem esse cenário: a rápida rotação do planeta e o campo magnético da ordem de quilogauss identificado pelo estudo.
Assim, a observação de β Pictoris b representa, segundo os autores, não apenas a identificação de emissão de rádio auroral em um exoplaneta, mas também uma forma direta de investigar seu campo magnético.

