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Destaque na Flip: A Grandeza Poética de Orides Fontela Desde a Juventude

Orides Fontela, poeta homenageada da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano, já demonstrava sua notável capacidade literária desde os primeiros versos na adolescência, em São João da Boa Vista. Sua produção juvenil já se caracterizava pela concisão e rigor na linguagem, elementos que se tornariam marcas registradas de sua obra, refletindo profundas reflexões.

A Descoberta e o Reconhecimento Inicial

O poema "Elegia", publicado em 1965 no jornal local O Município, capturou a atenção de Davi Arrigucci Jr., conterrâneo da poeta e então estudante de letras. Atualmente crítico literário e professor aposentado da USP, Arrigucci Jr. foi fundamental ao encorajar Orides a compilar seus poemas em um livro e a se mudar para a capital paulista. Cristina Yamazaki, editora da Hedra e responsável pela recente reedição das obras de Fontela, relata que Arrigucci Jr. analisou os poemas e os apresentou a críticos em São Paulo. Desde o início de sua trajetória, Orides conquistou admiradores como o crítico literário Antonio Candido e a filósofa Marilena Chaui, que posteriormente seria sua professora na USP. Alfabetizada pela mãe, Orides, filha de um marceneiro e uma dona de casa, emergiu como uma 'poeta pronta', exibindo sua grandeza desde seu primeiro livro.

A Singularidade da Poesia de Orides Fontela

Com uma economia de palavras notável, Orides Fontela construía poemas de múltiplos significados, imbuídos de densidade poética e filosófica. Essa característica foi prontamente reconhecida por críticos e escritores, como Antonio Candido, que descreveu sua obra com a expressão 'parcimoniosa opulência', evidenciando sua capacidade de gerar vastos sentidos com poucas palavras. A editora Cristina Yamazaki destaca a meticulosa depuração da linguagem da poeta, que visava atingir o 'âmago da palavra' e conduzir o leitor a um 'núcleo do silêncio', elemento crucial e constitutivo em sua obra. Orides, segundo Yamazaki, demonstrava uma precisão ímpar em sua escrita, evitando profanar o silêncio com palavras desnecessárias. Sua formação em filosofia também permeia seus versos, como exemplificado no poema 'Kant (relido)', que oferece uma leitura poética da obra do filósofo. É importante notar que a poesia de Orides não incorporava elementos autobiográficos, focando-se em dimensões além da vida pessoal.

Legado e Celebrações na Flip

Em homenagem à obra e ao legado de Orides Fontela, a Flip deste ano promoverá três lançamentos significativos pela editora Hedra: um livro de poemas ilustrado para crianças e jovens, uma coletânea inédita de escritos críticos e entrevistas, e uma nova edição, revista e ampliada, de sua biografia. Além disso, a Hedra detém os direitos das obras já publicadas da poeta e lançou novas edições de todas elas nos últimos meses. Ao longo de sua carreira, Orides publicou cinco livros de poesia: "Transposição" (1969), "Helianto" (1973), "Alba" (1983), "Rosácea" (1986) e "Teia" (1996). Com "Alba", que contou com prefácio de Antonio Candido, ela foi agraciada com o Prêmio Jabuti na categoria Poesia. Cristina Yamazaki detalha o rigoroso trabalho de pesquisa para as novas edições, realizado em conjunto com Augusto Massi, amigo e editor de Orides, e a organizadora Ieda Lebensztayn. Foram rastreados manuscritos, datiloscritos e materiais inéditos, incluindo anotações de Antonio Candido que a poeta chegou a incorporar em sua obra. A equipe também buscou imagens raras de sua infância e juventude, visando apresentar um material acessível não apenas a críticos, mas também ao grande público.

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