Iranianos em angústia reuniram-se ao lado de pilhas de corpos envoltos em sacos pretos em necrotérios improvisados, como no Centro Médico Forense de Kahrizak, ao sul de Teerã. Corpos também foram encontrados espalhados pelo chão fora das instalações. Vídeos que circularam, burlando o bloqueio da internet no Irã, revelaram cenas terríveis de pessoas tentando identificar entes queridos entre dezenas de vítimas da mais recente onda de repressão violenta.
As manifestações antigovernamentais em massa, impulsionadas pela deterioração das condições econômicas, representam o maior desafio para o regime iraniano em anos.
Evidências Visuais da Repressão
Um vídeo obtido pela CNN, gravado no centro forense, mostra sacos pretos para cadáveres enfileirados em uma passarela externa e corpos espalhados pelo pátio, com famílias buscando freneticamente os restos mortais. O grupo ativista Mamlekate reportou que o volume de corpos é tão grande que estão sendo dispostos ao ar livre. Outro vídeo, gravado na sexta-feira (9), exibe o interior de um galpão próximo ao centro forense, transformado em necrotério improvisado, repleto de corpos em sacos pretos sobre o chão e mesas de metal.
Narrativa Governamental Versus Direitos Humanos
A mídia estatal iraniana reconheceu as cenas macabras, mas insistiu que os corpos eram, em sua maioria, de “pessoas comuns” arrastadas para os protestos, atribuindo as mortes a “manifestantes violentos”. Agências de notícias estatais, como Tasnim, publicaram vídeos de repórteres conversando com familiares enlutados que afirmavam que seus parentes não eram manifestantes.
Esses relatos refletem um esforço governamental para culpar os manifestantes pela violência e dissuadir a participação. No entanto, grupos de direitos humanos afirmam que as evidências superam a narrativa oficial. Michael Page, da Human Rights Watch, destacou que, dado o histórico de repressão, as autoridades iranianas são responsáveis pelas mortes e ferimentos nos protestos.
Advertências e Punições
O governo iraniano alertou os cidadãos a não se juntarem a “manifestantes violentos e terroristas” e a “mercenários” estrangeiros. O presidente Masoud Pezeshkian diferenciou entre protestos pacíficos e aqueles que visam “desestabilizar toda a sociedade”, enquanto o procurador-geral prometeu ações legais implacáveis, incluindo a pena de morte.
Page, contudo, observou que as autoridades iranianas raramente distinguem entre manifestantes e “vândalos”, tratando qualquer protesto em larga escala como uma ameaça ao seu governo. Embora o ministro do Interior, Eskandar Momeni, tenha defendido a conduta das forças de segurança, alegando “máxima contenção”, relatos de testemunhas oculares e grupos de direitos humanos descrevem uma resposta violenta e desproporcional.











