Em Aracaju, comunidades extrativistas de mangaba, principalmente mulheres, resistem à intensa especulação imobiliária que ameaça seus territórios e seu modo de vida tradicional. A mangaba, ícone cultural e ambiental de Sergipe, tornou-se símbolo dessa resistência, concentrada nas últimas remanescentes de mangabeiras na zona de expansão urbana da capital.
Fortalecendo a Organização Comunitária
A Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper (ACCMPLL) lidera a defesa dos interesses dessas famílias. A entidade organiza a produção, preserva os saberes tradicionais e atua na interlocução com o Poder Público, tendo sido reconhecida com o primeiro lugar na categoria Povos e Comunidades Tradicionais do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade do MMA. Os recursos recebidos foram investidos em oficinas e estudos para o beneficiamento do fruto e o desenvolvimento do turismo de base comunitária.
Proteção do Território e Autonomia
O território das catadoras abrange a Reserva Extrativista (Resex) Mangabeiras Missionário Uilson de Sá e uma área da União, formando um único espaço cultural tradicional. Nestas áreas, famílias extrativistas, majoritariamente negras, mantêm a atividade da cata de mangaba há mais de oito décadas.
O Plano de Manejo Popular como Ferramenta de Luta
Durante a 5ª Festa da Colheita, foi lançado o Plano de Manejo Popular da Resex Uilson de Sá. Elaborado coletivamente, este documento visa registrar a memória histórica, promover a conservação da reserva e subsidiar uma gestão participativa do território, prevenindo a imposição de planos governamentais que descaracterizem a unidade de conservação. Há uma controvérsia com a prefeitura sobre a possível transformação da Resex em um parque urbano aberto, o que as catadoras consideram uma ameaça ao seu modo de vida e ao uso sustentável do local.
Origem dos Conflitos
O processo de criação da reserva foi precedido por violações de direitos, quando a expansão urbana de Aracaju, a partir dos anos 2010, avançou sobre o território tradicional, resultando na supressão de áreas de coleta. A demarcação da Resex foi uma condicionante ambiental exigida pelo Banco Mundial para o financiamento de empreendimentos habitacionais, evidenciando as tensões entre desenvolvimento urbano e preservação comunitária.

