
Faltando menos de duas semanas para o Oscar 2026, que acontece no próximo dia 15, os holofotes já estão sobre os indicados brasileiros. Este ano, O Agente Secreto de Kleber Mendonça Filho domina as conversas com quatro indicações (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção de Elenco). Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso conquistou uma nomeação em Melhor Fotografia, pela produção norte-americana Sonhos de Trem.
Ao longo da história da premiação, outras produções brasileiras também já marcaram presença, além dos clássicos mais comentados como Cidade de Deus e Central do Brasil. Cidade de Deus (2004), dirigido por Fernando Meirelles, recebeu quatro indicações técnicas (Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição) e mudou para sempre a forma como o mundo enxerga o cinema nacional. Central do Brasil (1999), de Walter Salles, foi indicada a Melhor Filme Internacional e deu a Fernanda Montenegro a histórica primeira indicação de uma brasileira ao Oscar de atuação.
Para celebrar a presença do Brasil na maior premiação do cinema mundial, selecionamos 10 produções brasileiras indicadas ao Oscar, desde música e animação até documentário e atuação, mostrando a força, a criatividade e o impacto duradouro do cinema nacional na maior premiação do cinema.
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1945 – “Brazil”
O Brasil chegou tímido, mas chegou com estilo ao Oscar com a música “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso, indicada a Melhor Canção Original. Hollywood ainda estava descobrindo o ritmo e o charme brasileiro, mas já dava pra sentir: o país tinha samba, glamour e atitude de sobra. Nem levou a estatueta, mas foi o cartão de visita oficial mostrando que talento brasileiro sempre esteve na pista de dança mais famosa do cinema.
1963 – “O Pagador de Promessas”
“O Pagador de Promessas”
Divulgação
Foi a primeira produção brasileira de verdade a disputar o Oscar de Melhor Filme Internacional, representando o país com a história de Zé do Burro, que cumpre uma promessa religiosa enfrentando preconceitos e injustiças. O filme conquistou atenção global e provou que o Brasil sabia contar histórias universais com tempero local. Perdeu para Divorzio all’italiana (Itália), mas marcou presença e abriu caminho para os futuros clássicos do cinema nacional.
1996 – “O Quatrilho”
“O Quatrilho”
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Entrou na categoria Melhor Filme Internacional trazendo drama, amor e traição entre imigrantes italianos no sul do Brasil. A narrativa elegante e o cuidado com o visual mostraram que o cinema brasileiro podia transformar histórias regionais em emoções universais. Embora não tenha vencido — o Oscar foi para Antonia’s Line (Países Baixos).
1998 – “O Que É Isso, Companheiro?”
Dirigido por Bruno Barreto, retrata os bastidores da luta contra a ditadura militar e o engajamento político de um grupo de revolucionários. Indicado a Melhor Filme Internacional, não levou a estatueta — que foi para o holandês Caráter —, mas mostrou que o cinema brasileiro podia unir coragem temática, narrativa envolvente e contexto histórico.
1999 – “Central do Brasil”
1999 – “Central do Brasil”
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O filme de Walter Salles é um marco absoluto: indicado a Melhor Filme Internacional e a Melhor Atriz para Fernanda Montenegro, que se tornou a primeira brasileira a disputar o Oscar de atuação. A história de Dora e Josué emocionou crítica e público, mostrando o Brasil em sua complexidade humana e social. O filme perdeu para A Vida É Bela, mas solidificou o cinema brasileiro como referência mundial.
2004 – “Cidade de Deus”
“Cidade de Deus”
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Dirigido por Fernando Meirelles, ninguém esperava que um filme sobre a favela brasileira fosse abalar Hollywood. Quatro indicações — Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição — mostraram que o Brasil podia competir no topo, com narrativa frenética, estética impecável e poesia até no caos. Quem não viu, perdeu um dos maiores clássicos modernos do cinema global.
2016 – “O Menino e o Mundo”
“O Menino e o Mundo”
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A produção é a primeira animação brasileira indicada ao Oscar na categoria Melhor Animação, obra do diretor Alê Abreu que conta a jornada de um menino que sai em busca do pai e, pelo caminho, descobre desigualdades sociais e um mundo dominado por máquinas e problemas contemporâneos — tudo isso sem diálogos tradicionais, usando arte, cor e música para emocionar e refletir sobre a vida moderna de forma universal. Com estilo visual artesanal e linguagem poética, o filme conquistou público e crítica ao redor do mundo, ganhou diversos prêmios em festivais internacionais e entrou no panteão da animação global pela sua inventividade. No Oscar 2016, ele competiu com gigantes da animação e o prêmio foi para Divertidamente, da Pixar, mas a indicação por si só já foi um feito histórico e colocou o Brasil no mapa da animação mundial.
2020 – “Democracia em Vertigem”
“Democracia em Vertigem”
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De Petra Costa, indicado a Melhor Documentário, joga o espectador no olho do furacão da política brasileira recente, misturando imagens de arquivo, filmagens íntimas da família da diretora e entrevistas com protagonistas e vítimas da polarização que derrubou a então presidente Dilma Rousseff e mudou o país. É visceral, doloroso e político, sem perder poesia: o filme transforma crises, protestos e injustiças em narrativa cinematográfica potente, colocando o Brasil no centro do debate global. Não levou a estatueta, mas provou que nosso olhar pode ser universal, urgente e, ao mesmo tempo, profundamente pessoal.
2025 – “Ainda Estou Aqui”
Ainda estou Aqui
Reprodução
Este filme virou um dos momentos mais históricos do cinema brasileiro ao conquistar o primeiro Oscar do país na categoria Melhor Filme Internacional, contando a saga real de Eunice Paiva — mãe que luta por respostas depois que seu marido é desaparecido pela ditadura militar — com um olhar humano, visceral e cinematograficamente impecável, ressoando tanto entre público quanto crítica globalmente; além disso, a protagonista Fernanda Torres fez história ao ganhar o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama (a primeira brasileira a levar esse prêmio na premiação internacional), e chegou ao Oscar indicada em Melhor Atriz, que no fim ficou com Mikey Madison, por Anora.
2026 – “O Agente Secreto”
“O Agente Secreto”
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Dirigido por Kleber Mendonça Filho é um thriller político brasileiro que fez Hollywood parar: quatro indicações ao Oscar — Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção de Elenco — e uma história que mistura espionagem, tensão social e política de tirar o fôlego. Wagner Moura já levou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama por esse mesmo papel, mostrando que o talento brasileiro não brinca em serviço.
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