
Dior alta-costura verão 2026
Acielle / StyleDuMonde
A temporada de verão 2026 da alta-costura foi uma das mais importantes dos últimos tempos. Isso porque, apesar da ausência de várias marcas, ela reuniu duas estreias emblemáticas: Jonathan Anderson na Dior e Matthieu Blazy na Chanel. Ambos já haviam estreado no prêt-à-porter, mas ainda não na couture, este que é o segmento mais especial da moda, em que há muito menos restrições comerciais e técnicas artesanais brilham em sua maior potência.
O irlandês Anderson mostrou sua melhor coleção para a Dior até hoje. Ele atingiu o nirvana da moda: apresentou peças que reverenciam o passado da Dior, que possuem os códigos de seu trabalhoe que propõem um novo caminho para o futuro. Este é o papel da moda, apresentar propostas conectadas ao tempo em que vivemos.
Chanel alta-costura verão 2026
Divulgação
Muito parecido fez Blazy, e o seu desafio talvez fosse ainda maior. A Chanel possui uma das iconografias mais marcantes de todos os tempos. As camélias, os c’s interconectados, os laços, as pérolas – os clássicos da grife são muito onipresentes e grande parte do trabalho do franco-belga tem sido “limpar” a estética para aproximá-la dos desejos da mulher moderna. Gabrielle Chanel, afinal, sempre vestiu mulheres modernas, foi ela quem libertou toda uma geração de corsets. Para além das roupas excepcionais, que a um primeiro olhar podem aparentar uma construção descomplicada, mas que na verdade são o suprassumo do savoir-faire, Blazy levou à passarela um casting com idades diversas – algo que não é comum na moda. A mensagem é a seguinte: a Chanel veste mulheres adultas, independentes e seguras.
Dior alta-costura verão 2026
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Chanel alta-costura verão 2026
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Na Valentino, Alessandro Michele mostrou sua segunda coleção couture com um desfile-espetáculo com cenário inspirado no dispositivo que foi o precursor do cinema. Fiel ao DNA de Michele, 60 looks altamente maximalistas foram apresentados – era um grande sonho seu fazer alta-costura, e ele tem honrado essa oportunidade. Se, em algumas casas, a couture quer ocupar também um guarda-roupa mais cotidiano, para Michele ela está mais festiva do que nunca.
Valentino | Alta-Costura | Verão 2026
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Também se apresentaram a Schiaparelli, que novamente levou a passarela silhuetas intensas e dramáticas (um incrível exercício dos grandes pilares da alta-costura: a técnica, o rigor e a disciplina), e a Giorgio Armani Privé, com sua primeira coleção couture desde a morte do fundador da casa. Quem assumiu a direção criativa foi sua sobrinha, Silvana Armani.
Schiaparelli alta-costura verão 2026
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Ausentes nesta temporada estavam a Balenciaga, que apresenta alta-costura uma vez por ano, então retorna na temporada de inverno com a estreia de Pierpaolo Piccoli na couture da maison, e a Maison Margiela, que desfilou pela última vez em julho do ano passado com a estreia aplaudida de Glenn Martens, e ainda não anunciou com qual frequência permanecerá no calendário.
Independente das ausências, as excelentes coleções reforçaram, mais uma vez e para qualquer cético, que a alta-costura não é obsoleta, pelo contrário, é o grande momento para a indústria da moda resgatar a sua essência – antes de as roupas serem produzidas em massa para consumo instantâneo e descarte rápido, era assim que elas eram feitas.
Balanço geral da temporada de alta-costura verão 2026

