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Pérola negra: 6 spots que traduzem por que você precisa conhecer a Pequena África, no Rio


“De volta para o futuro”. Certamente, não teria expressão melhor para definir a Pequena África, um pedacinho do Rio de Janeiro, localizado na Zona Portuária da cidade, carregada de um rico (porém nem sempre feliz) contexto histórico. Nos últimos anos, a região tem passado por uma importante revitalização, abrindo suas portas, ruas, becos e vielas de maneira majestosa, pronta para receber tanto os cariocas quanto os turistas sedentos por uma experiência cultural autêntica e repleta de significado para a história do Rio, do Brasil e da diáspora africana no contexto global.
Historicamente, pensar na região compreendida pelos bairros da Gamboa, Santo Cristo e Saúde é um verdadeiro testemunho do legado africano que moldou parte importante da cultura brasileira. Batizada desta forma pelo sambista Heitor dos Prazeres, era por lá que uma parcela importante de negros escravizados desembarcavam em solos da terra brasilis, trazendo consigo tradições e o legado que hoje correm nas veias de todos nós. E, este mesmo lugar, também servia de cemitério aos que não sobreviviam à travessia.
As ruas de pedra que antes eram memórias de um tempo, por décadas foram fadadas ao esquecimento enquanto projeto, negligenciadas por décadas por governos locais e cenários para viadutos e vias expressas que cortavam a cidade, gerando a invisibilidade de um contexto histórico fundamental para a pavimentação da identidade nacional. Em 2009, com o início do projeto Porto Maravilha, concebido para a recuperação da infraestrutura urbana, dos transportes, do meio ambiente e dos patrimônios histórico e cultural da região, a Pequena África volta a ser reduto da efervescência cultural carioca, conquistando o amor de uma nova geração.

A revitalização da área não é só uma questão de arquitetura, como também atribuir uma nova alma, sem esquecer o passado. Com a volta das pessoas a circular neste perímetro, surgem novos restaurantes, bares e galerias de arte que refletem a essência carioca e a “história que a História não conta”, como diz o samba da Mangueira. Frequentar a Pequena África agora significa embarcar em uma viagem pela nossa tecnologia ancestral.
O passado, nem sempre romântico, misturado aos novos ares, refletem a cultura não só como ato de resistência, como também de existência e pertencimento. Seja você um amante da história, um fashionista amante da folia em busca da sua próxima fantasia ou alguém que aprecia um bom prato com todo o sabor que a diáspora africana nos presenteou enquanto legado, descubra seis lugares que serão o seu ponto de encontro com esta “pequena notável” região:
MUHCAB – Museu de História e da Cultura Afro-Brasileira (@muhcab.rio):
Museu de História e da Cultura Afro-Brasileira
Priscila Batista
Denominado museu de território, é responsável por contar a história da região que testemunhou o maior desembarque de africanos escravizados no mundo, além de retratar importantes marcos de afirmação negra no Brasil e do desenvolvimento da cultura afro-brasileira. O equipamento cultural também serve de plano de fundo para debates e articulações de conceitos em torno da narrativa afro-diaspórica e a situação do negro no Brasil hoje.
Sustenta Carnaval (@sustentacarnaval.br):
Sustenta Carnaval
Acervo Pessoal
Entre os casarões localizados na Rua Pedro Ernesto, no número 67, está localizado o Sustenta Carnaval. O projeto socioambiental aliado à economia circular dos desfiles de escola de samba do carnaval carioca, já livrou dos aterros sanitários mais de 60 toneladas de insumos carnavalescos. E não pense que a iniciativa só ganha vida durante o carnaval, não! Ao longo do ano, o Sustenta oferece oficinas ligadas à economia criativa como a de confecção de adereços e figurinos, além de ter uma importante parceria com o Mulheres do Sul Global, no qual pessoas vítimas de violência usam tecidos das fantasias para a confecção de bolsas e porta-passaportes.
Ah, foi de lá que veio o meu adereço de cabeça do Baile da Vogue 2026!
Bafo da Prainha (@bafodaprainha):
Bafo da Prainha
Instagram
O premiado bar do Largo de São Francisco da Prainha é conhecido não só por seu churrasco à carioca no tambor, como também por sua cerveja gelada, que virou o ponto de encontro de uma nova geração responsável por entender que a região vai para além do samba de segunda na Pedra do Sal. Fator importantíssimo aos que vão em busca de algo mais gourmetizado: eles não oferecem barbecue.
Casa Omolokum (@casaomolokum):
Casa Omolokum
Instagram
Capitaneado pela chef Leila Leão, o restaurante da Rua Tia Ciata 51, tem como ponto de partida comida de Axé com arte e tradição. Com banquetes que fazem alusão a Orixás, os cardápios homenageiam Oxum, Iansã, entre outras entidades, com entradas como acarajé recheado com vatapá, caruru, camarão e vinagrete, além de pratos principais como o “Cabaré”, que leva frango, carne de porco e camarões, com arroz de lentilha, tomate cereja, cebola roxa e a farofa dendê, também conhecida como Padê.
Casa da Tia Ciata (@casatiaciata):
Tia Ciata
Instagram
Que tal conhecer a memória da matriarca do samba? Casa da Tia Ciata é um espaço cultural sediado na Rua Camerino, 9, que não só mantém viva a memória desta heroína da resistência, como também ajuda a perpetuar o legado da visionária do samba com oficinas de percussão para mulheres e feiras de empreendedorismo negro.
Pequena África: a ponta de lança da cultura, identidade e da tecnologia ancestral de um país.
Nota: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Vogue Brasil.
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