
Imagina como está o coração de dona Lysaurie Ocasio? Eu imagino e celebro. Ela é a mãe de Bad Bunny, de Benito, o porto-riquenho que (mais uma vez) fez história para América Latina ontem, no intervalo do SuperBowl, que é capa da Vogue e da GQ Brasil e o artista mais ouvido do mundo. Mais? Tem. É também o primeiro latino ganhador do Grammy de melhor álbum na história. Viva!
Ontem, simbolicamente em seu show, ele deu o maior prêmio da música para um ator infantil, no papel de um garoto diante da TV de casa, ao lado dos pais. A TV era de tubo. Antiga. Cada um leu de um jeito. E essa liberdade interpretativa é o brilho maior da arte. O espetáculo foi rico em narrativa afetiva. Ternura e consciência juntos. Reverência também. Rick Martin, o mais famoso dos também porto-riquenhos Os Menudos, estava ali, assim como todas as referências possíveis à cultura de Porto Rico. “Só o amor é mais forte que o ódio”. A frase dita por ele no Grammy estampou o telão. Essa é a mensagem. Não se reprima! Viva o filho de dona Lysaurie. Viva Dona Lysaurie!
A mais fuerte interação direta com o público latino, para mim, foi o momento em que Benito, menos de 48 horas antes do show, chorava de emoção em uma entrevista (para o canal ET) ao responder quem era o porto seguro dele. “Minha mãe. Eu agradeço a ela por sempre ter acreditado em mim como pessoa, como ser humano. Acho que isso me trouxe até aqui”, disse ele. Eu, como mãe latina, e de dois homens, me derreti.
Qualquer mãe do mundo amaria esse reconhecimento do filho. As latino-americanas amariam em uma escala mãe latina: superlativa, exagerada, emocionada. Dito isso, alguém consegue imaginar a felicidade dessa mãe? Eu imagino. E por isso escrevo aqui sobre Lysaurie Ocasio, a mãe de Bad Bunny.
Foi ela quem o trouxe até aqui, segundo ele mesmo. E o aqui de Bad Bunny é especial. No domingo retrasado se tornou o primeiro artista latino a ganhar o Grammy de álbum do ano. Uma semana depois, comandou o show do intervalo no SuperBowl. No próximo domingo, dia 14 de fevereiro, estará no palco em Buenos Aires. Daí mais uma semana é a vez de São Paulo, Brasil. Viva! E deixo aqui uma dica de tia: por que não chegar uns dias antes para curtir a maior festa brasileira, o Carnaval? E por que não trazer Lysaurie Ocasio, a “mami”, junto, hein?!
Lysaurie Ocasio, mãe de Bad Bunny
Reprodução/ Facebook
Bad Bunny chama dona Lysaurie assim, de “mami”, em público, em coletivas. Tá? Mami! “Mi Mami”, diz ele, “sempre escutou muita música em casa”. E, daí, ele cita a coleção de CDs e de clássicos de salsa (Hector Lavoe e Juan Gabriel), a trilha sonora de uma infância feliz. Bad Bunny, coelhinho mau, o nome artístico do primogênito de Dona Lysaurie, veio de memórias infantis, de uma foto em que ele estava fantasiado de coelhinho.
Benito, uma criança feliz, muito imaginativa, contou ele para a Vogue Brasil, com direito a uma bicicleta vermelha trazida pelo Papai Noel, disse para a Vogue México. Foi criado em Porto Rico pela mãe e pelo pai, Toti, motorista de caminhão, ao lado dos irmãos mais novos, a inspiração maior do artista.
Professora (agora aposentada), dona Lysaurie educou três filhos e parece ter alimentado os sonhos de cada um deles. Benito é o Bad Bunny; Bernie é modelo; Bysael, jogador de baseball. Os três estão juntos sempre que possível. Lysaurie criou irmãos unidos. Isso é muito. Para a Vogue Brasil, Bad Bunny contou que adora jogar dominó com os avôs, que é muito próximo das avós, dos tios e das tias. O que pode ser mais “rico”? Me diz? Eu só digo que fico cada vez mais encantada e curiosa por Lysaurie.
Foi ela quem levou o filho Benito para o coral da igreja. Ele gostava de imitar cantores de salsa desde novinho. Soltou a voz. Hoje é sucesso mundial com o disco mais escutado do globo no último ano. Seu hit principal é DTMF (Devia ter tirado mais fotos, em português), segundo ele, um manifesto para Porto Rico, um chamado para aproveitar o presente, as pessoas realmente importantes em sua vida. Uma fusão de ritmos latinos e uma declaração de amor às batidas calientes. E o hit fala sobre bebedeira também (se eu ficar bêbado, me ajude). Nos poupe de (falso) moralismo, né?! E ele poupa, o filho da dona Lysaurie.
Trabalhou como caixa e empacotador de supermercado enquanto fazia a faculdade de audiovisual. E manteve o emprego até sentir segurança financeira na carreira musical, iniciada em 2016 em uma plataforma musical. Seis anos depois veio o primeiro álbum de sucesso. Mais quatro anos, o reconhecimento mundial. Quando ele foi anunciado o grande vencedor da noite do Grammy, a câmera focou em Gloria Estefan, cantora cubana que levou a música latina para o mundo em meados dos anos 80. Em seu agradecimento cunhou o “FORA, ICE” e agradeceu todos que abriram a estrada para ele resgatar e exaltar o amor à própria terra, cultura e tradições.
Na hora eu pensei: a mãe desse garoto deve estar explodindo de orgulho. Coisa de coroa, eu sei. De coroa e de mãe latina de homens. Daí, fui atrás de saber um pouquinho sobre ela. E quero descobrir mais! Afinal, criar homens, trabalhar, bailar salsa e alimentar os sonhos (realizados) dos filhos é o que há de mais rico. Não é?

