O rei Charles passou a integrar a lista de membros da família real britânica confrontados publicamente por causa do envolvimento do ex-príncipe Andrew em controvérsias recentes. Aos 77 anos, o monarca e a rainha Camilla, de 78, participavam de uma visita oficial a Dedham, no condado de Essex, na quinta-feira, 5 de fevereiro, sob chuva. Enquanto cumprimentavam o público em meio a música e clima festivo, um homem interrompeu o momento com gritos direcionados ao casal real, conforme mostram vídeos divulgados nas redes sociais por jornalistas que acompanhavam o evento.
“Charles? Charles?”, disse ele, segurando um celular. “A polícia deveria investigar Andrew?”
Parte da multidão tentou abafar o protesto, pedindo silêncio ou falando mais alto. O rei não demonstrou reação, e não há confirmação se chegou a ouvir a provocação. No dia anterior, a rainha Camilla também foi alvo de questionamentos relacionados a Andrew, após a divulgação de novas evidências ligadas a Jeffrey Epstein. Os documentos tornados públicos incluem materiais inéditos sobre a relação de Epstein com Camilla e sua ex-esposa, Sarah Ferguson.
Durante a chegada da rainha a um compromisso oficial na Escola Primária Christ Church, em Londres, em 4 de fevereiro, um repórter fez perguntas enquanto ela deixava o carro. O registro foi divulgado pela ITV News nas redes sociais. “Bom dia, Vossa Majestade, bom dia. A família real ajudará na investigação de Epstein? Vossa Majestade tem alguma mensagem para as vítimas de Epstein?”
Camilla não respondeu aos questionamentos, entrou na escola e cumprimentou um funcionário com um aperto de mãos. Outros integrantes da família real também enfrentaram manifestações semelhantes. Kate Middleton e o príncipe William ouviram comentários críticos relacionados a Andrew durante uma visita conjunta à Escócia. Em Fallin, no dia 20 de janeiro, enquanto conversavam com moradores em frente a um pub, um espectador repetiu em voz alta: “Há quanto tempo vocês sabem sobre Andrew e Epstein?”
O episódio foi compartilhado na plataforma X pelo grupo Republic, que defende o fim da monarquia no Reino Unido.
As novas evidências envolvendo Epstein vieram a público em 30 de janeiro e incluem e-mails enviados por Sarah Ferguson ao criminoso sexual condenado – entre eles um em que ela pedia que ele ” simplesmente se casasse comigo ” – além de fotos e comentários de teor vulgar sobre suas filhas, a princesa Beatrice, hoje com 37 anos, e a princesa Eugenie, atualmente com 35.
O príncipe Edward, irmão mais novo do rei, foi o primeiro membro da família real a se manifestar publicamente sobre o novo material do caso Epstein nesta semana. O duque de Edimburgo concedia entrevista à jornalista Eleni Giokos, da CNN, durante a Cúpula Mundial de Governos, em Dubai, no dia 3 de fevereiro, quando foi questionado sobre sua visão a respeito dos arquivos de Epstein e sobre como a família real estaria “lidando” com as revelações recentes.
“Bem, acho que é sempre muito importante lembrar das vítimas, e quem são as vítimas em tudo isso?”, afirmou Edward. “Há muitas vítimas nisso.”

