Foto: Reprodução/SSP-SP
Suspeito estava lotado na estatal paulista desde 2004; ele foi preso durante megaoperação contra organização criminosa que agiu na zona sul da capital
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), empresa pública ligada ao governo de São Paulo, confirmou nesta quarta-feira (24) a demissão de um servidor efetivo que foi preso preventivamente por suspeita de envolvimento nos ataques a ônibus ocorridos na capital paulista nos últimos dias. A decisão foi tomada após a prisão do funcionário na segunda-feira (22), durante uma operação conjunta das Polícias Civil e Militar contra integrantes de uma organização criminosa.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o servidor é apontado como facilitador e articulador de atos criminosos que resultaram na queima de veículos do transporte coletivo, especialmente nas regiões do Grajaú e Cidade Dutra, na zona sul da cidade de São Paulo.
“Assim que fomos comunicados oficialmente da prisão, instauramos processo administrativo e decidimos pela demissão imediata do servidor, em conformidade com o estatuto da CDHU e as normas do funcionalismo público estadual”, informou a companhia em nota oficial.
Serviço público desde 2004
O nome do funcionário não foi divulgado por questões legais, mas a CDHU confirmou que ele era concursado desde 2004 e exercia cargo técnico-administrativo em um dos escritórios regionais da estatal. Fontes do governo revelaram que não havia registros anteriores de conduta inadequada, o que torna o caso ainda mais grave e surpreendente para os colegas de trabalho.
Ataques violentos e clima de tensão
Nos últimos dias, São Paulo viveu uma onda de ataques coordenados a ônibus e outros veículos, com pelo menos 15 coletivos incendiados entre domingo (21) e terça-feira (23). Os atos foram atribuídos a uma facção criminosa que teria ordenado as ações em represália a operações policiais em presídios e comunidades.
A zona sul da capital foi a área mais afetada. Em bairros como Jardim Miriam, Capela do Socorro e Pedreira, linhas de ônibus foram suspensas temporariamente, deixando milhares de usuários sem transporte.
“Estamos lidando com uma escalada de violência que exige uma resposta firme. Prendemos diversos suspeitos e ainda há mandados em aberto”, declarou o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite.
Ligação com o crime organizado
De acordo com as investigações conduzidas pelo DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais), o servidor exonerado atuava como elo entre membros do crime organizado e grupos envolvidos na execução dos ataques. Ele teria usado sua posição na estatal para facilitar reuniões, fornecer informações sobre rotas e, possivelmente, recursos logísticos.
A polícia apreendeu celulares, documentos e mensagens criptografadas que comprovariam a ligação do funcionário com lideranças criminosas. O caso está sob sigilo judicial, mas os investigadores confirmaram que o inquérito deve ser ampliado para verificar se há outros servidores públicos envolvidos.
Repercussão política
A prisão do servidor gerou forte repercussão no Palácio dos Bandeirantes. O governador Tarcísio de Freitas classificou a situação como “intolerável” e determinou uma varredura em todos os órgãos vinculados ao estado para identificar possíveis infiltrações criminosas no serviço público.
“Não vamos permitir que criminosos se escondam atrás do funcionalismo. Quem trair a confiança do povo será punido exemplarmente”, declarou o governador.
CDHU adota medidas internas
Além da demissão, a CDHU anunciou a abertura de auditorias internas para reforçar o controle sobre seus servidores. A empresa também pretende revisar protocolos de segurança e ampliar os mecanismos de monitoramento e denúncia.
A companhia ressaltou, em nota, que repudia qualquer forma de conivência com atividades criminosas e reafirmou seu compromisso com a ética, a legalidade e o interesse público.
População cobra respostas
Enquanto as investigações seguem, moradores da zona sul de São Paulo continuam apreensivos. Muitos relatam medo de circular à noite, receio de represálias e desconfiança sobre a segurança do sistema de transporte coletivo.
Lideranças comunitárias têm cobrado mais presença policial nas regiões afetadas e apoio psicológico às famílias que foram impactadas direta ou indiretamente pelos ataques.
Conclusão: Estado em alerta
O caso evidencia os desafios enfrentados pelo poder público no combate ao crime organizado, especialmente quando há suspeitas de infiltração em órgãos estatais. A demissão do servidor da CDHU é considerada um passo importante para preservar a integridade das instituições, mas também serve de alerta para a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção e controle dentro da máquina pública.

