Vitória, a capital do Espírito Santo, atingiu a marca notável de 600 dias sem o registro de feminicídios, destacando-se em um cenário nacional onde o crime tem batido recordes, com quatro mulheres mortas por dia em 2025, conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O último caso de morte violenta de mulher na cidade ocorreu em 8 de junho de 2024, envolvendo Sebastião Carlos da Silva, condenado a 11 anos e seis meses de prisão pela morte de sua filha, Brenda Luz da Silva.
Ações Coordenadas e Tecnologia na Proteção à Mulher
A Prefeitura de Vitória atribui essa realidade positiva a um trabalho contínuo e integrado entre o município, o Poder Judiciário e as forças de segurança. A tecnologia desempenha um papel crucial, com ferramentas como o Botão Maria da Penha.
O Botão Maria da Penha, em funcionamento desde 2016, é disponibilizado a mulheres com medida protetiva e alto risco de vida. Quando acionado, o dispositivo envia a localização em tempo real para a Guarda Municipal, dispara um alarme na Central de Monitoramento e alerta as equipes de rua, conferindo prioridade máxima à ocorrência. Atualmente, 33 casos são monitorados em Vitória com o uso da ferramenta.
Além do dispositivo, a mulher recebe acompanhamento da Guarda, que verifica sua rede de apoio, orienta sobre o funcionamento da tecnologia e realiza patrulhas preventivas para garantir sua segurança. A comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, enfatiza a requalificação anual do efetivo, assegurando que todos os agentes estão preparados para atender às ocorrências rapidamente e sem revitimizar a mulher.
Um caso de sucesso ilustra a eficácia do Botão Maria da Penha: uma usuária denunciou a fuga do agressor, informando a placa do carro. Graças às câmeras de monitoramento, foi possível identificar o trajeto, abordar e prender o indivíduo.
Paralelamente, a Guarda Municipal desenvolve um trabalho preventivo em espaços públicos, como praças, escolas e EJAs, com o objetivo de conscientizar a população e incentivar mulheres a identificar e buscar ajuda em situações de violência.
Prevenção, Acolhimento e Recuperação
Ações de prevenção e acolhimento também são fundamentais para minimizar os riscos. A Casa Rosa de Vitória, centro especializado da Secretaria Municipal de Saúde, realiza cerca de 400 atendimentos mensais a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade.
No espaço, uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais oferece serviços de saúde integral. A subsecretária de atenção à saúde de Vitória, Patrícia Vêdova, destaca que a Casa Rosa está aberta para acolher não apenas as vítimas, mas também aqueles que percebem estar sofrendo algum trauma, buscando entender e apoiar suas necessidades.
Além do acolhimento e suporte ao trauma, a Casa Rosa é referência na prevenção e assistência a Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e na Profilaxia Pós-Exposição Sexual (PEP). Após o tratamento e a ressignificação do trauma, o centro direciona as vítimas a outros serviços municipais para capacitação profissional e retorno aos estudos.
Os serviços da Casa Rosa podem ser acessados tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamentos da rede pública, através dos telefones (27) 3332-3290 e (27) 99773 5393, e-mails savviolencia@vitoria.es.gov.br ou casarosa@vitoria.es.gov.br, ou diretamente em sua sede na Ilha de Santa Maria.

