Dependente da Lei Agnelo/Piva, COB promete anunciar novos apoiadores

Foto: Lance

 

Com 90% da receita atual proveniente do mecanismo, Comitê celebra acerto com japonesa Ajinomoto e diz que está em vias de divulgar novas marcas na preparação para Tóquio-2020

 

 

O susto que o esporte olímpico viveu nos últimos dias, com a possibilidade de perder os repasses da Lei Agnelo/Piva devido a uma dívida da antiga Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM), levantou a discussão sobre a forte dependência do setor em relação aos recursos das loterias. O Comitê Olímpico do Brasil (COB), que enfrenta dificuldades para atrair o setor privado desde o fim dos Jogos Rio-2016, não vê perspectiva de mudanças no quadro, mas aposta em pequenas estratégias para minimizar o problema.

 

– Buscamos, desde sempre, o envolvimento da iniciativa privada. Não é tarefa fácil para nenhum segmento, sobretudo com a crise no país, agravada pela depressão pós-olímpica. Mas acabamos de fechar patrocínio com a Ajinomoto e estamos em vias de anunciar novas parcerias que trarão aportes financeiros – disse Manoela Penna, diretora de marketing do COB.

 

A Ajinomoto se juntou às empresas Peak e a Estácio como patrocinadoras do COB. O valor do contrato não foi revelado. A entidade ainda conta com a Aliansce e a Travel Ace como parceiras oficiais.

 

– É difícil dizer que conseguiremos um patrocínio que aporte R$ 250 milhões, que sustente toda a estrutura do esporte olímpico do país. Acredito que nenhum país tenha, ou são raras as exceções, mas queremos cada vez mais ampliar esta fatia privada – afirmou Manoela.

 

Em 2019, o COB projeta receber cerca de R$ 250 milhões com a arrecadação dos apostadores, verba essencial para garantir o suporte às confederações, muitas impedidas de receber recursos devido a pendências do passado, como as de basquete (CBB), esportes aquáticos (CBDA) e taekwondo (CBTKD). O valor equivale a 90% das receitas do comitê em 2019.

 

O dinheiro é utilizado, por exemplo, para financiar a ida das delegações para competições e treinamentos fora do país. No momento, o Time Brasil conta com 263 atletas em viagens internacionais, no período entre 6 e 14 de abril. O foco são os Jogos Pan-Americanos de Lima (PER), que acontecem em em julho. Ao mesmo tempo, as atenções já estão voltadas para os Jogos de Tóquio-2020.

 

– A continuidade deste recurso da Lei Piva é essencial para a manutenção das competições e, agora, chegamos a um momento impactante da preparação para os grandes eventos – afirmou Jorge Bichara, diretor de Esportes do COB.

 

A CBVM ficou sob jurisdição do COB de 2006 e 2012, após denúncias de corrupção e má administração. Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o COB e a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) são corresponsáveis pelo passivo, o que resultou na expiração da certificação de regularidade, documento que garantiria os repasses. Por isso, o Comitê não tem uma Certidão Negativa de Débito (CND), e segue em situação irregular.

 

Mas, na última terça-feira, os dirigentes do COB se reuniram em Brasília com a Secretaria Especial de Esportes do Ministério da Cidadania para apresentar sua defesa jurídica, que tirou a entidade do problema. Com o argumento de que os recursos das loterias não são públicos, uma vez que não entram no orçamento da União, convenceram o governo a manter os repasses. O encontro terminou com final feliz, e o dinheiro voltará a entrar nos cofres do comitê nesta quinta. Fonte: R7

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