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Gabriela Loran: Despedida de ‘Três Graças’ e Consolidação de Carreira Artística

O último capítulo de "Três Graças" vai ao ar em 15 de maio na TV Globo. A novela de Aguinaldo Silva destacou Gabriela Loran no papel de Viviane, uma farmacêutica cuja história envolve romance com Leonardo (Pedro Novaes), conflitos intensos, superação de barreiras de gênero e uma profunda carga emocional, conquistando o público.

A atriz comenta a intensidade da experiência: “Cada novela tem um ritmo muito específico, e ‘Três Graças’ exigia uma entrega muito grande, tanto técnica quanto emocional. A Viviane me provocou em muitos lugares porque ela traz questões humanas muito fortes, relações complexas e conflitos internos importantes. Emocionalmente, foi um processo intenso, mas também muito enriquecedor. E integrar um elenco tão talentoso, numa produção desse porte, acaba sendo uma troca constante. Você aprende todos os dias”.

A Representação Além do Rótulo

Por meio de Viviane, Gabriela Loran abordou os desafios de uma mulher trans em relações amorosas, a transição de gênero, a busca por aceitação e a reafirmação de identidade. Contudo, a personagem também permitiu que a atriz rompesse o rótulo de "atriz trans", consolidando sua carreira profissionalmente e expandindo sua atuação para além de estereótipos.

“Eu sinto que isso está começando a acontecer, e considero muito importante ocupar esse espaço. Ser uma mulher trans faz parte de quem eu sou, mas isso não resume a minha existência nem a minha capacidade artística. Quero poder interpretar personagens com diferentes histórias, conflitos, desejos e trajetórias, assim como qualquer atriz. E acredito que o mercado começa, aos poucos, a entender que artistas trans podem, e devem, estar em todos os tipos de narrativa. A representatividade também passa por essa liberdade de existir em cena de maneira plural”, explica.

Trajetória e Pioneirismo na Televisão

A carreira televisiva de Gabriela Loran é marcada por pioneirismo e versatilidade. Em 2018, ela fez história ao se tornar a primeira mulher trans a integrar o elenco de "Malhação: Vidas Brasileiras", interpretando Priscila, uma professora de dança. Este papel introduziu representatividade em uma produção de grande alcance para o público jovem.

Desde sua estreia, a artista demonstrou a amplitude de seu repertório, transitando entre diferentes formatos e tons narrativos, desde a agilidade de uma novela adolescente até a profundidade de produções com maior densidade dramática, como em "Três Graças".

Sobre essa adaptabilidade, Gabriela afirma: “Eu acho que cada projeto pede uma escuta diferente. Em ‘Malhação’, existia uma energia muito própria, mais ágil, mais leve. Já em projetos como ‘Três Graças’, a construção dramática tem outro peso, outro ritmo. O mais interessante da atuação é justamente entender a linguagem de cada obra sem perder a verdade da personagem. Eu gosto desse desafio de adaptar minha interpretação ao universo de cada produção. Isso me mantém em movimento como artista”.

Evolução e Futuro da Representatividade

O dinamismo exigido ao transitar entre diversos universos artísticos é parte fundamental do exercício profissional para a atriz. Desde sua estreia em 2018, Gabriela tem observado uma evolução nos convites para papéis que transcendem estereótipos, refletindo uma mudança gradual no cenário audiovisual.

“Eu acredito que houve avanços importantes, sim. Hoje existe uma discussão muito mais ampla sobre representatividade e sobre a importância de personagens mais diversos. Aos poucos, artistas trans estão deixando de ser chamados apenas para papéis que giram exclusivamente em torno da identidade de gênero, e isso é fundamental. Mas ainda existe um caminho longo pela frente. Acho que a verdadeira mudança acontece quando a nossa presença deixa de ser vista como exceção. Quando podemos interpretar personagens diversos, com histórias múltiplas, como qualquer outra atriz ou ator. O público está mais preparado para isso, e muitos roteiros já começam a entender essa necessidade de ampliar”, complementa.

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