Foto: Reprodução/Correio24horas
Artista enfrentava tratamento contra o câncer desde 2023; trajetória foi marcada por coragem, talento e ativismo
A música brasileira perdeu uma de suas vozes mais vibrantes nesta segunda-feira (20). A cantora Preta Gil, de 50 anos, faleceu no último domingo (20), após mais de um ano de luta contra um câncer no intestino. A notícia foi confirmada pela família e por sua equipe nas redes sociais, com uma onda imediata de comoção por parte de artistas, fãs e personalidades públicas.
Preta Gil era filha do cantor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, e fez da sua carreira um espaço de afirmação, autenticidade e empoderamento. Ao longo de duas décadas, conquistou seu espaço na música com hits dançantes, letras ousadas e presença marcante, além de ter se tornado símbolo da luta contra o preconceito e defensora ativa de causas sociais.
Diagnóstico e luta contra o câncer
A artista revelou publicamente em janeiro de 2023 que foi diagnosticada com adenocarcinoma na parte final do intestino. Desde então, enfrentou um tratamento intenso que incluiu sessões de quimioterapia, radioterapia e cirurgias. Mesmo diante das adversidades, Preta Gil manteve uma postura inspiradora, compartilhando sua jornada com franqueza nas redes sociais.
“Não vou deixar de ser feliz enquanto luto pela vida”, disse ela em uma de suas publicações. A transparência com que lidou com a doença mobilizou apoio de milhares de fãs e reforçou sua imagem de força e resiliência.
Nos últimos meses, no entanto, o quadro de saúde da cantora se agravou, exigindo internações recorrentes. A última internação aconteceu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde permaneceu em tratamento intensivo. Apesar dos esforços da equipe médica, ela não resistiu às complicações.
Trajetória artística e impacto cultural
Preta Gil iniciou oficialmente sua carreira musical em 2003 com o álbum “Prêt-à-Porter”, onde já demonstrava seu estilo irreverente e personalidade forte. Sucessos como “Sinais de Fogo”, “Stereo”, “Meu Corpo Quer Você” e “Sou Como Sou” fizeram parte do repertório que conquistou plateias por todo o Brasil.
Além da música, Preta Gil se destacou como apresentadora, atriz e empresária. Participou de programas de televisão, atuou em novelas e peças de teatro, e fundou a “Bloco da Preta”, um dos maiores blocos de Carnaval do Rio de Janeiro, que arrastava multidões pelas ruas da capital fluminense.
Mais do que uma artista, Preta era um símbolo. Sua luta por inclusão, liberdade sexual, autoestima, igualdade racial e respeito aos corpos fora do padrão estético tradicional a tornaram referência, principalmente entre mulheres negras e pessoas da comunidade LGBTQIA+.
Família, amigos e país em luto
A família Gil ainda não divulgou detalhes sobre o velório e o enterro, mas informou que a cerimônia será aberta ao público e acontecerá no Rio de Janeiro, onde Preta vivia. Gilberto Gil, pai da cantora, está em reclusão com os filhos e netos, profundamente abalado com a perda.
Nas redes sociais, famosos como Ivete Sangalo, Anitta, Pabllo Vittar, Caetano Veloso e Gaby Amarantos prestaram homenagens emocionadas. “Você foi luz, coragem, amor e liberdade. Obrigada por tudo que nos ensinou”, escreveu Ivete.
Políticos e autoridades também manifestaram pesar. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, declarou luto oficial de três dias no setor cultural: “Preta Gil foi uma potência. Uma artista que usou sua voz para muito além dos palcos. O Brasil perde uma estrela de brilho eterno”.
Legado
A morte de Preta Gil encerra uma história de coragem e liberdade. Em um país marcado por desigualdades e preconceitos, ela ousou ser quem era — sem filtros, sem disfarces. Sua obra permanece como um grito de resistência e celebração da vida.
Preta Gil deixa um filho, Francisco Gil, fruto de seu primeiro casamento, além de inúmeros fãs, admiradores e uma legião de pessoas tocadas por sua arte e sua luta.
O Brasil perde uma artista, mas ganha um legado eterno.

