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Dia do Goleiro acende alerta para lesões exclusivas da posição no futebol

Foto: Freepik

Casos recentes de Alisson Becker e Cássio evidenciam os riscos físicos de quem atua sob as traves; especialista da Rede CADE explica como a medicina regenerativa auxilia na recuperação de alta performance

Por Dadi Goulart

No próximo dia 26 de abril, celebra-se o Dia do Goleiro. No entanto, para muitos profissionais da posição, a data é um lembrete dos desafios físicos extremos que enfrentam. Diferente dos jogadores de linha, o goleiro é submetido a uma biomecânica de impacto, frenagem e explosão que gera lesões muito específicas. O tema ganhou força recentemente com a lesão muscular de Alisson Becker (Liverpool/Seleção Brasileira) e o grave trauma multiligamentar de Cássio (Cruzeiro).

De acordo com o Dr. Lúcio Gusmão, médico especialista em dor e fundador da Rede CADE, clínica referência em medicina regenerativa, a exigência mecânica sobre esses atletas é desproporcional.
“Os goleiros realizam movimentos de explosão com rotações rápidas e saltos constantes.

A carga nos adutores (parte interna da coxa) é imensa, especialmente na perna de chute, devido à repetição de lançamentos longos e à necessidade de ‘frear’ o corpo abruptamente após defesas”, explica o médico.

O caso do goleiro Cássio, que sofreu uma lesão multiligamentar no joelho e deve retornar apenas em 2026, ilustra o risco do impacto direto com o solo. Nestes cenários, a cirurgia é apenas o primeiro passo. O atleta terá que passar por uma cirurgia, com retorno aos gramados previsto para apenas o ano que vem.

“A resposta biológica do corpo é o que define o retorno. Hoje, a medicina regenerativa oferece recursos que estimulam a cicatrização natural dos tecidos de forma mais eficiente, permitindo que o atleta recupere a funcionalidade com maior segurança e qualidade”, afirma Dr. Lúcio.

Se no passado o lendário Castilho (Fluminense) chegou a amputar parte de um dedo por fraturas recorrentes, a medicina atual e os equipamentos de proteção evoluíram, mas o risco permanece. Dados da revista científica Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy indicam que goleiros têm cinco vezes mais probabilidade de sofrer lesões nos membros superiores do que jogadores de linha.

Além das mãos, a região da face é um ponto crítico. O choque do goleiro Brazão (Santos), que precisou de atendimento de ambulância após uma joelhada na têmpora em uma disputa com o Atlético Mineiro no Campeonato Brasileiro, reforça o perigo em saídas de gol e disputas aéreas.

O especialista aponta o risco de contusões na região da cabeça. Embora os goleiros de futebol não costumem cabecear a bola, os movimentos de salto e mergulho aumentam a possibilidade de lesões de crânio e face, especialmente nos momentos de marcação de escanteio. Os impactos podem acontecer tanto com outros jogadores, quanto com o chão ou até mesmo com as traves do gol.

“A posição de goleiro exige um conjunto muito específico de habilidades físicas, e isso se reflete diretamente no perfil das lesões. É um atleta que precisa estar preparado não apenas para o jogo em si, mas para lidar com uma carga física muito particular e constante ao longo da carreira”, conclui Dr Lúcio Gusmão.

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