Google colabora com o FBI para derrubar fraudes de publicidade

Google foi a primeira empresa a detectar a fraude – Foto: Reprodução/SPJ

 

Esquema que usava robôs, sites falsos e malware para gerar tráfego inexistente foi derrubado e oito russos foram indiciados; três estão presos

 

Uma operação do FBI, com auxílio do Google e outras 15 empresas de tecnologia, derrubou uma rede de fraude de publicidade online que havia desviado milhões de dólares usando uma rede de 1,7 milhões de computadores infectados por malware.

 

Nas investigações, oito cidadãos russos foram indiciados. Três foram detidos e extraditados para os EUA e os outros cinco permanecem foragidos. A suspeita é que eles tenham desviado pelo menos US$ 36 milhões (cerca de R$ 138 milhões) entre 2014 e 2018.

 

A quadrilha usava páginas falsas e robôs para criar tráfego inexistente e, com isso, receber dinheiro por meio de serviços de publicidade online, como o do Google. Os PCs infectados eram usados para direcionar os robôs e aumentar o volume de dados.

 

Robôs investigados

 

Segundo o site Buzzfeed, as investigações começaram no início de 2017, quando o Google e a empresa de cibersegurança White Ops começaram a compartilhar informações sobre uma pequena rede de robôs que havia sido detectada.

 

As empresas afirmaram que, conforme iam implementando filtros para acabar com o tráfego falso, os programadores dos robôs criavam meios para driblar a vigilância. Com o tempo, eles perceberam que além de maleáveis os criminosos estavam mais sofisticados do que pensavam.

 

“O que havia de realmente diferente era o número de técnicas que eles usavam, a facilidade para mudar tudo quando eles percebiam que tinham sido detectados, tudo o que eles faziam em tempo real. A cada novo filtro de tráfego, eles mudavam”, disse Scott Spencer, gerente de produtos do Google, ao Buzzfeed.

 

Caçada silenciosa

 

Por causa disso, o FBI convocou uma reunião sigilosa com o Google e outras empresas de tecnologia. O objetivo era compartilhar informações e traçar uma estratégia comum para derrubar o esquema.

 

O plano, cuidadosamente implementado durante mais de um ano, envolveu a criação de medidas em total segredo, para que os fraudadores não fossem alertados e fugissem.

 

O Google chegou a reembolsar os anunciantes por propagandas veiculadas no tráfego falso, enquanto os criminosos continuavam recebendo dinheiro por eles. A empresa não divulgou os valores.

 

Segundo foi apurado nas investigações, a quadrilha criava páginas falsas que simulavam sites de grande visitação. Ao entrar, os usuários recebiam mensagens de que deveriam instalar atualizações de aplicativos.

 

Um exemplo era se a página pedia uma “versão nova” do Flash para funcionar. Era nesse momento que os malwares eram instalados e os computadores infectados passavam a contribuir para a rede de tráfego falso.

 

Crimes sofisticados

 

Os malwares eram tão sofisticados que continham programação que os impedia de funcionar se o usuário instalasse um anti-vírus ou se o computador tivesse sistemas de “cripto mineração” instalados, para evitar detecção.

 

Após meses de investigação, a operação para desbaratar a quadrilha foi deflagrada em 22 de outubro deste ano. Em pouco mais de um dia, o FBI derrubou mais de 5 mil sites falsos e tomou o controle de 89 servidores e 31 domínios. A rede foi toda derrubada.

 

A divulgação oficial da operação aconteceu na última semana, por meio de um comunicado do Departamento de Justiça dos EUA.

 

Segundo estimativas da consultoria Juniper Research no ano passado, as fraudes em publicidade online movimentam cerca de US$ 19 bilhões (cerca de R$ 73 bilhões) em todo o mundo. Fonte: R7

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