O frio de São Paulo nem sempre é tão dramático quanto o de outros cantos do país, mas é o suficiente para mudar o programa: troca-se a mesa na calçada pelo salão fechado, a cerveja gelada por um tinto encorpado, e o jantar apressado por uma noite de petiscos para dividir sem pressa. Não por acaso, o bar de vinho virou um dos refúgios prediletos da estação, e a cidade não parou de ganhar endereços novos. Nos últimos meses, abriram quatro casas que resolvem bem a noite gelada, espalhadas por Pinheiros, Vila Madalena, Barra Funda e Vila Mariana, cada uma com um jeito próprio de encher a taça: do rótulo sul-americano que cabe no bolso à garrafa garimpada de pequeno produtor, da cozinha autoral de chef premiada ao petisco de boteco bem-feito. Anote os quatro antes que esfrie de vez.
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O lado solto do Nomo, do outro lado da rua. São cerca de 30 lugares, dos quais só 12 banquetas no salão interno, então no frio a disputa pelo lugar coberto é real. A carta tem 50 rótulos curados pela sócia e sommelière Patrícia Werneck, todos na linha dos naturais, biodinâmicos e de baixa intervenção, e quem orienta no dia a dia é o sommelier Paulo Candido, ex-Nelita. Na cozinha, Nando Carneiro foge da tábua de frios óbvia: paillard de vieira selada com leche de coco, óleo de limão makrut, capim-santo e chia ponzu; patê de fígado e pistache com picles de minilegumes e sourdough; e fritas triplas, além do babaganoush de jiló com maçã verde e do sarapatelli de pato. Boa oferta em taça. Novembro de 2025.
Rua Rodesia, 206, Vila Madalena. @gnomovinhos
Vinho sem cerimônia num galpão de telhas aparentes, na Barra Funda. A carta é enxuta e barata: taça a partir de R$ 21, garrafas até R$ 180, com Brasil, Argentina, Chile, Portugal, França, Espanha, Itália, Austrália e Uruguai na lista. A comida segue a mesma linha despretensiosa, do sanduíche de rosbife no pão de fermentação natural à tartine de salmão gravlax com sour cream. Em certos dias entram DJs, o que faz dele mais programa animado que refúgio silencioso. Outubro de 2025.
Rua Brigadeiro Galvão, 745, Barra Funda. @silo.vinho
O braço de vinhos do Nelita, da chef Tássia Magalhães e do sommelier Danyel Steinle. São 44 lugares, balcão oval com torneiras de vermute, paredes em verde-azulado e luz baixa pensada para conversa longa, com a adega no segundo piso sob curadoria de Danyel. A carta vai de 400 a 500 rótulos, com cerca de 20 em taça renovados a cada quinze dias, de R$ 34 a R$ 106. Da cozinha aberta saem porções pequenas para dividir: aspargos com beurre blanc e bottarga (R$ 65), choux recheado de fígado de galinha, pera e limão-siciliano (R$ 36), salada de tomates (R$ 42), num menu de 14 salgados e três sobremesas. Outubro de 2025.
Rua Ferreira de Araújo, 333, Pinheiros. @wine.lita
A terceira unidade da rede, depois de Pinheiros e Tatuapé, agora na boemia da Joaquim Távora. Cerca de 80 rótulos de bom custo-benefício, muitos em taça, entre tintos, brancos, rosés, os “diferentões” e os borbulhantes, mais uma carta de drinques à base de vinho. O cardápio da chef Marciele Médice puxa para o reconfortante: tiras de mignon com fonduta de queijos (R$ 89), panceta com agrião e batata ao murro (R$ 74), bolinho de costela com molho de cerveja preta (R$ 59) e choripan vegano de cogumelos (R$ 69). Tem calçada e parklet, mas no inverno o salão interno é que resolve. Estreou em 25 de agosto de 2025.
Rua Joaquim Távora, 1306, Vila Mariana. @vinho.no.boteco
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