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como a cultura pop objetifica mulheres


Seria fácil dizer que isso sempre existiu, e é verdade que existiu. As novelas das décadas anteriores objetificavam mulheres, as músicas dos anos 1980 e 1990 também, e ninguém precisava de estudo acadêmico para perceber. Mas havia diferenças que importam. O conteúdo chegava mediado pelo horário, pela família, pela escola, e havia pausas, outros modelos, outras imagens concorrendo pelo mesmo espaço. O que mudou não foi apenas o volume, embora o volume seja sem precedente histórico, mas a estrutura da relação entre quem consome e o que consome. A menina de hoje não é só espectadora de um conteúdo que chega pelo canal aberto. Ela produz, publica, coleciona curtidas, e é avaliada pelo mesmo padrão que consome. O olhar do outro, que a psicanálise entende como constitutivo do sujeito, deixou de vir só de fora e passou a ser uma ferramenta de autoavaliação permanente que ela carrega no bolso. A menina não apenas vê mulheres sendo objetificadas, ela aprende a se objetificar para ser vista. Isso é estruturalmente diferente do que qualquer geração anterior enfrentou.



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