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Cortisol alto causa inchaço abdominal? Entenda a relação com o estresse


Tentar manter o cortisol sob controle — o famoso hormônio do estresse, cujo nome científico era praticamente desconhecido pela maioria das pessoas até pouco tempo atrás — tornou-se a grande obsessão dos últimos tempos. Não culpo ninguém por isso. O ritmo acelerado de vida que levamos, o fato de vivermos como se um leão estivesse nos perseguindo pela selva, com nosso sistema nervoso sempre preparado para se defender, e a naturalização do estresse como estilo de vida fizeram com que nos familiarizássemos com esse termo.

Desde então, falamos bastante sobre como o cortisol nos afeta, mas talvez não tanto sobre sua relação com o inchaço abdominal e a sensação de falta de leveza no corpo. Queremos abordar esse tema porque esse sintoma visível — que, às vezes, é erroneamente o que mais nos preocupa, embora não devesse ser assim — pode ser um sinal de alerta para desacelerarmos. E isso é o mais importante: exercitar a capacidade de parar.

O inchaço abdominal ao longo do dia pode ser consequência de níveis elevados de cortisol e do estresse mantido por muito tempo. E, por mais que falemos sobre alimentos ou hábitos que ajudam a controlá-lo, a base pode estar em algo muito mais simples e necessário: descansar.

“Muitas vezes, sentir-se mais leve começa por conseguir parar”

Irene Vilches, especialista em drenagem linfática manual e bem-estar feminino e criadora do tratamento Revulife, acerta em cheio ao afirmar que “muitas vezes, sentir-se mais leve também começa por conseguir parar”. A especialista ressalta que essa conexão entre corpo e bem-estar — que está no centro de seu tratamento, uma combinação de manobras de drenagem e modelagem com um momento de relaxamento profundo, que proporciona calma e leveza — é fundamental. Afinal, a sequência de hábitos associados aos períodos de estresse pode provocar mudanças na digestão, mesmo quando continuamos comendo as mesmas coisas.

“Quando ficamos sob estresse por muito tempo, o corpo pode manifestá-lo de diferentes maneiras: dormimos pior, acumulamos tensão e a digestão pode se tornar mais pesada. Por isso, quando recuperamos a calma, muitas vezes nos sentimos menos inchadas. Isso não significa que tudo se deva ao cortisol nem que esse inchaço seja sempre uma inflamação: também pode haver distensão abdominal ou retenção de líquidos”, esclarece.

Inchaço para além do cortisol

Vilches também ressalta que, embora a barriga inchada possa coincidir com uma fase de estresse, nem sempre está relacionada a níveis elevados de cortisol.O intestino e o cérebro estão em comunicação constante. Quando vivemos sob pressão, a digestão pode mudar e podemos sentir com mais intensidade desconfortos como os gases. O ciclo menstrual, a constipação e a alimentação também podem influenciar. Por isso, quando digo que o corpo fala, refiro-me a prestar atenção ao que sentimos, e não a interpretar o inchaço como um diagnóstico”, reflete.

A farmacêutica especialista em menopausa Marta Masi também reforça a importância de não atribuir toda a culpa pelo inchaço ao cortisol. “O abdômen também escuta o cérebro. Quando o estresse se prolonga, a resposta do organismo, da qual o cortisol participa, pode influenciar o ritmo intestinal e a maneira como percebemos as sensações digestivas. De fato, o estresse pode contribuir para o problema, embora o inchaço tenha muitas causas. Por isso, é importante avaliar cada caso individualmente, compreender o que está por trás dele e escolher o suporte mais adequado.”

Portanto, embora o inchaço possa ter muitas outras causas além do estresse, é interessante saber que, em alguns casos — cada vez mais frequentes —, existe, sim, uma relação entre os dois, que pode afetar tanto os processos digestivos quanto o equilíbrio da microbiota intestinal. De certa forma, quando fazemos uma pausa e relaxamos, podemos estabilizar nosso sistema nervoso e favorecer o funcionamento dos processos digestivos.

Wellness Academia Exercício Musculação Alongamento Saúde — Foto: Getty Images
Wellness Academia Exercício Musculação Alongamento Saúde — Foto: Getty Images

Os estados de alerta afetam a digestão

A especialista em nutrição consciente Klau Gago observa em suas consultas uma tendência generalizada entre as mulheres a conviver com o estresse crônico, que leva o corpo a tentar se adaptar a um estado de alerta constante, já normalizado. “Muitas dessas mulheres aparentemente se alimentam bem, praticam exercícios e cuidam de si mesmas. Ainda assim, apresentam cansaço persistente, inchaço abdominal, pele mais reativa, dores de cabeça ou dificuldade para dormir. Isso acontece porque estão há tempo demais funcionando sob o mesmo ritmo de exigência”, explica.

Esse estado de alerta contínuo, associado a níveis elevados de cortisol, provoca sinais que muitas vezes são interpretados como problemas isolados. É por isso que ela sempre insiste em uma visão holística da saúde, que não se baseie apenas na alimentação. “Não era a comida. Era a minha cabeça”, explica, referindo-se à necessária mudança de perspectiva.

Um hábito que não falha

Diante de tudo isso, parece necessário falar sobre hábitos que ajudam a controlar o estresse. E, embora não haja nenhuma novidade nesse sentido — o conhecido equilíbrio entre sono, alimentação saudável e exercício físico continua sendo a chave —, se precisamos definir por onde começar, Irene Vilches aposta em uma medida simples: “Seria caminhar todos os dias e nos levantar com frequência quando passamos muitas horas sentadas. A cada passo, os músculos das pernas ajudam a levar o sangue de volta ao coração e também favorecem a circulação da linfa. É um gesto simples que podemos incorporar à rotina sem precisar reservar um momento específico para cuidar de nós mesmas”, conclui.

Este texto foi publicado originalmente na Vogue Espanha com o título: Cortisol alto e hinchazón abdominal: “Muchas veces sentirse más ligera empieza por poder parar”



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