Uma capa coletiva é também a celebração de um movimento e o reconhecimento de que o sucesso, mesmo quando parece individual, é resultado de um esforço coletivo. No caso das modelos, consequência do trabalho que elas, suas agências e todo o ecossistema brasileiro travam para fazer carreiras deslancharem em um nível global. Esse reconhecimento, aliás, é um avanço relativamente recente da indústria da moda. Quem não se emocionou com o agradecimento de Pierpaolo Piccioli na alta-costura da Balenciaga, que entrou na passarela cercado de sua equipe vestida com os aventais de trabalho? Ele, inclusive, colocou os nomes de cada criativo que ajudou a conceber os looks no comunicado à imprensa, compartilhando não somente as mãos que o ajudaram a construir as peças como a autoria delas, um feito inédito. Neste espírito, “Menos eu, mais nós” foi o tema da ex-parceira de Pierpaolo, a italiana Maria Grazia Chiuri, no seu desfile de estreia para a Fendi, em fevereiro, como lembrou a diretora de moda Vívian Sotocórno em Volta para Casa, onde ela conta a conversa que teve com a estilista sobre a chegada à alta-costura da casa romana.

