Lizzo reagiu com alívio à decisão da Justiça dos Estados Unidos que encerrou as acusações restantes de um processo movido por Asha Daniels, ex-assistente de figurino de sua equipe. A ação, apresentada em 2023 contra a empresa responsável pela turnê da cantora, envolvia alegações de discriminação, assédio e preconceito racial.
Documentos judiciais apresentados na terça-feira, 1º de setembro, apontam que a juíza federal Aenlle-Rocha rejeitou as acusações que ainda permaneciam no processo contra a Big Grrrl Touring, empresa ligada à turnê de Lizzo. Anteriormente, os advogados da artista já haviam classificado as acusações como “sem fundamento”.
Juíza rejeita acusações de discriminação
Na decisão, a magistrada afirmou que Daniels não teria apresentado elementos suficientes para demonstrar a existência de um ambiente de trabalho marcado por hostilidade generalizada contra mulheres ou por tratamento diferente entre funcionários homens e mulheres.
Aenlle-Rocha escreveu que a autora “não identificou nenhuma conduta” que “demonstrasse hostilidade generalizada contra mulheres no ambiente de trabalho ou tratamento desigual entre homens e mulheres”.
A juíza também avaliou que os episódios relatados pela ex-assistente, embora considerados inadequados e pouco profissionais, não atingiriam o nível necessário para caracterizar uma violação das proteções previstas no Título VII.
“Essa conduta alegada e esses incidentes alegados, embora inadequados e pouco profissionais, estão dentro do escopo do que a Suprema Corte considerou estar fora da proteção do Título VII, fazendo parte das tribulações comuns do ambiente de trabalho”, escreveu o juiz.
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Alegações de racismo também foram rejeitadas
Outro ponto analisado pela Justiça envolvia acusações de preconceito racial. Daniels havia alegado, entre outras situações, que sua chefe, Amanda Nomura, teria utilizado expressões racistas durante o período em que trabalhavam juntas.
A magistrada, no entanto, concluiu que não havia evidências suficientes para sustentar essa acusação. “Não há provas que sugiram que Nomura tenha proferido algum insulto racial ou se referido a qualquer pessoa negra específica ou a pessoas negras em geral usando linguagem racialmente ofensiva”, escreveu o juiz.
Advogada de Lizzo celebra decisão
Após a decisão, Melissa Y. Glass, advogada de Lizzo pelo escritório Singer Weinstein, Wolf & Jonelis LLP, declarou à revista PEOPLE que o resultado representa uma vitória para a cantora e para os demais envolvidos no processo.
A advogada afirmou ser “uma vitória total para Lizzo, sua empresa de turnês e os outros réus nomeados no processo absurdo de Asha Daniels”.
“Nunca houve qualquer fundamento para a Sra. Daniels processar Lizzo, sua empresa de turnê, seu empresário de turnê ou seu figurinista. Aliás, o processo contra Lizzo foi arquivado em dezembro de 2024. Estamos explorando todas as vias para garantir os direitos de nossos clientes após essa importante vitória”, escreveu ela.
Cantora reage nas redes sociais
Lizzo, cujo nome verdadeiro é Melissa Jefferson, também comentou publicamente a decisão. Em 1º de setembro, a artista publicou um vídeo no Instagram Reels para falar sobre o encerramento do processo.
Na legenda da publicação, ela afirmou estar aliviada com o resultado e destacou que as acusações feitas pela ex-assistente foram rejeitadas.
“Hoje estou aliviada em anunciar que ganhei o processo contra mim e minha empresa, Big Grrrl Touring”, escreveu ela na legenda de um vídeo. “Todas as alegações ridículas de uma assistente de figurino que trabalhou na turnê por menos de 3 semanas (incluindo a alegação de que ela quebrou uma unha de acrílico) foram rejeitadas.”
A cantora, de 38 anos, também voltou a questionar a relação que teria tido com a autora da ação e classificou as acusações como “chocantes, porque estou sendo processada por alguém que, assumidamente, nunca me conheceu”.
Em seguida, Lizzo afirmou que sempre acreditou que os fatos seriam esclarecidos.
“Rezei para que a verdade viesse à tona e, graças aos meus incríveis advogados, a verdade prevaleceu”, escreveu ela. “A verdade importa mais para mim do que qualquer coisa, e eu disse a vocês que não vou me conformar e continuarei lutando até que todas as acusações maldosas feitas contra mim e meus negócios sejam resolvidas.”
Defesa de Daniels discorda da decisão
Apesar da comemoração de Lizzo e de sua equipe jurídica, os representantes de Daniels contestaram o entendimento da Justiça. Ron Zambrano, advogado da ex-assistente, declarou à PEOPLE que a equipe ficou decepcionada com a decisão.
“Estamos desapontados com a decisão do Tribunal. Embora respeitemos o Tribunal e o processo judicial, acreditamos que a decisão ponderou indevidamente provas que deveriam ter sido avaliadas por um júri. Em nossa opinião, a decisão parece minimizar as evidências de um ambiente de trabalho sexualmente carregado, avaliando os incidentes de forma muito restrita (ou seja, fotos de pênis e comentários de cunho sexual feitos por gerentes), em vez de considerar seu impacto cumulativo”, escreveu ele.
Zambrano também questionou a interpretação da Justiça sobre as alegações relacionadas a uma suposta deficiência.
“Discordamos que uma funcionária que torce o tornozelo e manca enquanto tenta trabalhar não atenda ao padrão legal de deficiência sob a Lei de Direitos dos Americanos com Deficiências (ADA). Essas são questões importantes porque essas alegações muitas vezes dependem de como um júri avalia todo o ambiente de trabalho, o contexto circundante e os fatos contestados. Discordamos respeitosamente da abordagem do Tribunal e estamos considerando os próximos passos apropriados.”
Daniels apresentou a primeira reclamação em setembro de 2023 contra Lizzo, a Big Grrrl Touring, Amanda Nomura e a empresária de turnê Carlina Gugliotta.
No processo, a ex-assistente fez diversas acusações contra o ambiente de trabalho durante a etapa europeia da turnê Special. Segundo Daniels, ela teria sido submetida a comentários considerados racistas e gordofóbicos, além de alegar que não recebeu atendimento médico adequado.
A ex-funcionária também afirmou ter enfrentado uma “cultura de racismo e bullying” enquanto trabalhava na equipe responsável pelos figurinos da turnê.
Advogados de Lizzo já haviam pedido arquivamento
Em julho de 2025, os advogados de Lizzo voltaram a contestar as acusações e defenderam o encerramento do processo antes que ele chegasse a julgamento. Na ocasião, a equipe jurídica da cantora classificou a ação por discriminação e demissão injusta como “sem mérito”.
Documentos analisados pela PEOPLE mostraram que os representantes legais da artista, entre eles Martin Singer, fizeram duras críticas à autora da ação. Daniels foi descrita pelos advogados como uma “mentirosa descarada”, além de ser acusada de estar “ressentida”, ter “um ego inflado” e buscar “vinganças pessoais” contra Lizzo, sua empresa, Nomura e Gugliotta.
Naquele momento, Ron Zambrano já havia antecipado que a defesa provavelmente tentaria encerrar o caso.
“Esperávamos que a defesa apresentasse uma moção para arquivar o caso. Também esperamos que o juiz negue a moção e estamos ansiosos para levar este caso a julgamento e vencer”, disse ele na ocasião.
O advogado acrescentou: “A moção não tem mérito, e a defesa sabe disso, mas o modus operandi deles é tratar todos os processos como se não tivessem fundamento para prosseguir, culpando repetidamente a vítima. Não vai funcionar.”
A equipe jurídica de Lizzo havia feito uma tentativa anterior de arquivar o processo de Daniels em dezembro de 2023.
Outros processos ainda envolvem a cantora
Apesar da decisão favorável neste caso, Lizzo ainda enfrenta outras disputas judiciais. A cantora continua sendo alvo de processos apresentados por três ex-dançarinas de apoio — Crystal Williams, Arianna Davis e Noelle Rodriguez.
As três entraram com ações em agosto de 2023, nas quais fizeram acusações relacionadas a assédio e agressão sexual.
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