Meryl Streep completa 77 anos nesta segunda-feira (22.06) como uma das atrizes mais premiadas e versáteis do cinema, dona de três Oscars e de uma galeria de personagens que deixou sua marca por gerações. Para muita gente, ela passou da tela para a vida cotidiana sem aviso. Comigo foi pela cozinha: descobri o prazer de cozinhar seguindo o boeuf bourguignon que a Julia Child ensina em Julie & Julie, e desde então virou uma paixão. Pensando nesses papéis aos quais sempre volto, do sussurro afiado de Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada às canções do ABBA em Mamma Mia, selecionamos a lista abaixo, que ajuda a entender por que Streep continua tão aclamada.
A Morte Lhe Cai Bem (1992)
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Tenho um carinho especial por esse, pois me transporta para a infância. No filme, Streep e Goldie Hawn vivem duas rivais que tomam uma poção da juventude eterna e passam a se destruir sem conseguir morrer. Meryl é Madeline Ashton, atriz em decadência obcecada pela própria imagem. O filme levou o Oscar de melhores efeitos visuais, revolucionários para a época, com corpos que se quebram e seguem andando, e virou cult, sobretudo entre o público gay, pelo exagero.
O Diabo Veste Prada (2006)
Como Miranda Priestly, editora todo-poderosa de uma revista de moda, a artista criou uma das chefes mais citadas do cinema sem nunca levantar a voz. O poder dela está no sussurro, na pausa, no olhar por cima dos óculos — e na sua influência, é claro. Dirigido por David Frankel e adaptado do livro de Lauren Weisberger, rendeu a ela mais uma indicação ao Oscar e funciona até hoje como uma espécie de manual de moda no cinema. É difícil não voltar a ele de vez em quando e perceber o quanto a Miranda continua atual.
A virada pop da carreira. No musical de Phyllida Lloyd, montado sobre as canções do ABBA, a atriz é Donna, dona de um hotel numa ilha grega que reencontra três antigos amores às vésperas do casamento da filha. Cantando e dançando sem nenhum pudor, ela emplacou a maior bilheteria de toda a sua trajetória. Pra quem ama música como eu, é ver Meryl no puro prazer, e a prova de como ela transita entre registros sem esforço aparente.
Aqui falo de coração, foi este filme que me fez pegar gosto por cozinhar. Meryl vive Julia Child, a americana que descobriu a cozinha francesa já adulta, morando em Paris, e acabou ensinando os Estados Unidos a cozinhar com seu livro e seu programa de TV. No último longa dirigido por Nora Ephron, ela carrega a parte mais luminosa da história, que alterna a vida de Julia nos anos 1950 com a de uma blogueira disposta a fazer todas as receitas dela. Foi seguindo o boeuf bourguignon do livro original que entrei na cozinha pra valer e não saí mais. O papel rendeu a Streep o Globo de Ouro e mais uma indicação ao Oscar.
O trabalho que lhe deu o terceiro Oscar, o segundo como protagonista. Ela interpreta a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher da juventude à velhice, num esforço de voz, postura e envelhecimento que beira a transformação física. O filme de Phyllida Lloyd dividiu opiniões pela forma como tratou a trajetória política de Thatcher, mas a atuação foi consenso. Trinta anos depois de A Escolha de Sofia, ela seguia achando onde se reinventar.
Álbum de Família (2013)
Baseado na peça de Tracy Letts, o filme reúne uma família disfuncional na casa da matriarca Violet Weston, vivida por Meryl como uma mulher doente, dependente de remédios e de língua afiada como navalha. É a atriz no registro mais teatral e cruel, contracenando de igual para igual com Julia Roberts numa mesa de jantar que vira campo de batalha. Rendeu mais uma indicação ao Oscar.
Caminhos da Floresta (2014)
A atriz cantando de novo, agora longe da leveza de Mamma Mia. No musical de Rob Marshall, baseado na obra de Stephen Sondheim, ela é a Bruxa que costura os destinos de personagens de contos de fada como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho. Um papel sombrio e divertido ao mesmo tempo, que mostra como ela encara um musical pesado sem receio. Valeu a indicação ao Oscar de atriz coadjuvante.
Não Olhe Para Cima (2021)
Na sátira de Adam McKay, Streep é a presidente dos Estados Unidos, uma figura vaidosa e populista que ignora o aviso de que um cometa vai destruir a Terra, numa alegoria da negação climática. Ao lado de Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, ela se joga numa comédia escrachada, quase grotesca, bem distante dos grandes dramas que a consagraram.
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