Se você não começou a correr nos últimos anos, com toda certeza conhece alguém que começou. Entre as modalidades que mais crescem, a corrida se tornou o esporte da vez, seja para se desafiar, fazer amizades ou até mesmo paquerar. O aumento da presença feminina na prática está entre os fatores que impulsionam a popularidade e contribuem para mudar a cara das grandes provas ao redor do mundo. Em 2026, as mulheres representaram cerca de 45% dos participantes em Boston, média semelhante à de outras Majors como Londres (44% das concluintes em 2026) e Nova York (46% das finishers em 2025). Já na Maratona do Rio, mais de 50% das inscrições foram femininas nas provas de 5, 10 e 21 quilômetros.
Para investigar os motivos que levam tantos corredoras a se apaixonarem, o segundo episódio do Vogue Wellness, nova série de vídeos da Vogue Brasil que investiga novidades e práticas que ganham popularidade no mercado esportivo e do bem-estar, foi até a Maratona do Rio, o maior festival de corrida da América Latina, e conversou com atletas amadoras e profissionais.
Com a atleta de alto rendimento Amanda Oliveira como guia, que pelo quarto ano consecutivo foi a brasileira melhor colocada na prova, a editora de beleza e wellness Bárbara Öberg mergulhou na atmosfera do evento, que reuniu mais de 70 mil pessoas ao longo de quatro dias em percursos de 5, 10, 21 e 42 quilômetros.
A popularidade da corrida vem acompanhada de uma nova mentalidade: a da performance. Atletas amadoras têm se desafiado em percursos mais longos e ritmos mais rápidos. Um reflexo disso é a fatia crescente de mulheres nas Majors — as cobiçadas provas do circuito Abbott World Marathon Majors, composto por Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago, Nova York e, a recém-nomeada, Cape Town. Correr uma Major está longe de ser simples: não basta apenas se inscrever. Além de sorteios extremamente disputados, muitas provas exigem índices classificatórios baseados no tempo obtido em outras maratonas — o que torna a jornada ainda mais exigente e planejada.
nquanto Bárbara Öberg se preparava para largar junto aos atletas no percurso de 42 quilômetros, editora-assistente de beleza e wellness Thaís Varela foi da largada à linha de chegada para entender a emoção de quem participa de um evento como esse. Da preparação para o desafio à tendência das presilhas de estrelas que viraram uniforme das corredores. A empresária, influenciadora e meia-maratonista Bertha Jucá fez sua primeira prova no Rio e se emocionou com a energia do público: “Tinha gente chorando, gente rezando. Cada um na sua batalha. Correr com esse clima faz muita diferença”.
Por trás desse cenário, há uma transformação profunda na forma de treinar. Fortalecimento muscular, nutrição individualizada, fisioterapia preventiva, recuperação ativa e monitoramento constante de saúde e desempenho passam a fazer parte da rotina dessas atletas. Tudo isso enquanto lidam também com a frustração de não atingir o pace dos sonhos — ou de “quebrar”, expressão usada quando a corredora não consegue manter o ritmo planejado durante a prova. “A gente tem que levar as coisas de maneira leve, porque, se não, o esporte, que era para ser um hobby, uma coisa legal, acaba ficando pesado”, reflete Manu City, curadora de conteúdo e empresária do mundo fitness.

