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O que é o “gêmeo digital” que pode personalizar o cuidado da menopausa


A ideia pode parecer saída de um filme de ficção científica: criar um “gêmeo digital” da menopausa, um modelo virtual capaz de reunir diferentes informações sobre uma mulher para acompanhar sua trajetória hormonal e os impactos provocados no organismo. É justamente essa a proposta de uma pesquisa publicada em julho na revista científica Maturitas.

O conceito Digital Twins in Menopause, apesar da aparência futurística, é mais simples do que parece. Imagine um modelo digital que reúna dados sobre hormônios, metabolismo, saúde cardiovascular, ossos, cognição, sono e outros aspectos acompanhados ao longo do tempo — algo que já é realidade com a popularização crescente dos gadgets de monitoramento de saúde. A ideia é que essas informações possam ser analisadas em conjunto para entender como cada mulher atravessa a transição menopausal, uma vez que não existe uma única maneira de viver essa fase.

Os sintomas, a intensidade das alterações hormonais e os efeitos sobre a saúde variam bastante de uma mulher para outra, por isso que a proposta do estudo, assinado pelos pesquisadores Alexandre Vallée e Jean Marc Ayoubi, do Foch Hospital, na França, é tão valiosa. Ela pensa uma medicina capaz de levar essa diferença em consideração, em vez de trabalhar apenas com médias e padrões gerais. Ao integrar modelos da mudança hormonal com informações de diferentes sistemas do organismo e ferramentas de inteligência artificial, um modelo desse tipo, no futuro, poderia ajudar a simular diferentes cenários e avaliar como diferentes estratégias de cuidado poderiam afetar aquela mulher.

Menopausa como oportunidade de prevenção

Se você ficou animada com eu, é preciso esclarecer que o trabalho publicado ainda está em fase de pesquisa. Os autores dizem que ainda é necessário coletar mais conjuntos de dados, ter acompanhamento por períodos mais longos e validação clínica. Mas a direção da pesquisa já dá sinais de que a ideia é mais do que promissora.

Além disso, é importante porque mostra que a ciência está compreendendo que a transição menopausal envolve diferentes sistemas do organismo. As mudanças hormonais têm efeito no metabolismo, no sistema cardiovascular e cognitivo, nos ossos e na regulação da temperatura, o que impacta profundamente a saúde e bem-estar das mulheres. Olhar essa fase com lupa é mais do que necessário.

Um segundo estudo publicado também neste ano na Maturitas segue uma linha semelhante ao propor um gêmeo digital do envelhecimento ovariano. O modelo combina informações sobre a dinâmica dos folículos, metabolismo mitocondrial e fatores de estilo de vida para estudar o envelhecimento dos ovários.

Ainda também está em fase de pesquisa. Mas a novidade aponta para uma mudança que interessa muito a quem está chegando aos 40, 50 ou 60 anos: a menopausa pode se transformar em uma janela importante para entender a saúde individual e antecipar cuidados. Em vez de olhar para a última menstruação como um ponto final, essa transição passa a ser uma fonte de informações sobre o que pode acontecer depois dela. E, pelo que temos acompanhado, tem muita coisa ainda para acontecer.



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