Luz, câmera, serra. A partir desta quarta-feira (12.08), Gramado troca a neblina pelo brilho dos holofotes e vira set a céu aberto: é a 54ª edição do Festival de Cinema, que reúne os grandes nomes do audiovisual nacional na disputa pelo Kikito, com direito a tapete vermelho na Rua Coberta e filas para as sessões do Palácio dos Festivais. Este ano, o troféu de cristal vai para Maria Fernanda Cândido e Selton Mello, e a mostra competitiva leva às telas seis longas inéditos, entre eles Chorão: Só os Loucos Sabem e Pele de Rinoceronte, com Débora Falabella.
A Vogue não ia ficar de fora dessa: o Vogue Celebra, que nesta edição homenageia o cinema brasileiro, também acontece na cidade durante o festival. E como a serra vai estar lotada de gente boa, preparamos um roteiro para curtir Gramado entre uma sessão e outra, da cozinha autoral do Catherine a um wine bar de parada obrigatória, dos parques de araucária ao museu que guarda a memória local.
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De frente para a Praça das Rosas, numa casa de esquina, o Catherine é a parada para quem quer cozinha autoral em Gramado. Quem comanda é o chef Nícolas Heckel, gramadense com passagens por Maní, D.O.M., Brasil a Gosto e L’Amitié, em São Paulo, e por cozinhas na Itália e na Holanda. Ele cruza técnica francesa com ingredientes da Serra e troca o menu a cada estação. O de outono/inverno é o mais interessante para quem chega nos meses frios: abóbora, cogumelos, pinhão, mirtilos e pera dividem a carta com cordeiro, codorna, truta e porco Duroc. Entre as entradas, o Radis et Stracciatella (R$ 78) junta rabanetes fermentados, stracciatella feita em Gramado e vinagrete de framboesa. Nos principais, a Caille Farcie (R$ 191) é codorna recheada com pinhão e porco Duroc, e a Truite au Beurre Blanc (R$ 152), truta de São Francisco de Paula na brasa. Boa parte dos ingredientes vem de produtores próximos, do brie da Queijaria Alma ao sorvete de iogurte de ovelha da Casa da Ovelha. A carta reúne cerca de 200 rótulos, a maioria brasileiros.
Rua Emílio Sorgetz, 200, Centro, Gramado (RS) • Segunda a sexta, das 18h à meia-noite; sábado e domingo, das 12h à meia-noite • @catherinegramado
Pioneiro do fondue no Brasil, o Chalezinho nasceu em Belo Horizonte no fim dos anos 1970 e chegou a Gramado em 2023, numa casa de madeira e pedra que imita os chalés alpinos. O fondue é o carro-chefe, mas o cardápio não para nele. A Raclette Baby Beef (R$ 98) leva tiras de baby beef salteadas com pimentão, cebola e pimenta biquinho; o Brie com Mel e Castanhas (R$ 79) vem no brioche; e a Burrata ao Pesto (R$ 83) chega com pesto caseiro, pomodoro de tomate sweet e torradas libanesas. Para abrir a noite, o Couvert Italiano da Casa (R$ 26 por pessoa) traz ciabatta e pão de grãos com sardella feita na casa, manteiga com flor de sal e mini caprese.
Avenida Borges de Medeiros, 2050, Centro, Gramado (RS)
Aberto desde 1995, o El Fuego é dos endereços mais tradicionais da cidade para quem quer carne. O forte são os cortes na parrilla, mas há também massas, risotos e fondue, no almoço e no jantar. Funciona bem para uma refeição mais clássica no fim de um dia de passeios, a poucos minutos a pé do centro.
Rua Garibaldi, 20, Centro, Gramado (RS) • Almoço e jantar, diariamente
Este pede uma descida até Canela, no Kempinski Laje de Pedra, e compensa a viagem. O 1835 Carne e Brasa faz da brasa o fio condutor de uma releitura contemporânea do churrasco gaúcho. O salão tem longas mesas de madeira e uma cozinha aberta e envidraçada, que deixa tudo à vista. A consultoria é da chef Carla Pernambuco, e o cardápio puxa para o produto local: do Vazio Gran Reserva para dois (R$ 279) ao Pot Pie Crocante de Costelão 12 horas (R$ 139), até o Sagú 1835 (R$ 49), de chocolate branco e morangos grelhados com tuille de mel de Cambará do Sul. A carta de vinhos mergulha no terroir gaúcho, reforçada pela recém-inaugurada Adega 1835 e suas mais de 4 mil garrafas, e a coquetelaria autoral é assinada pelo mixologista Jean Ponce.
Rua das Flores, 222, Kempinski Laje de Pedra, Canela (RS) • Segunda a domingo, das 12h às 22h
O Abstrato é a pedida para trocar, numa das noites, a sequência de fondue por uma taça de vinho. Reúne wine bar, restaurante e sushi num ambiente contemporâneo, e a carta de rótulos vem acompanhada de pratos que vão de massas e risotos a carnes e receitas de inspiração oriental.
Avenida das Hortênsias, 1304, Centro, Gramado (RS) • A partir das 18h • @abstratogramado
Cartão-postal de Gramado, o Lago Negro resiste ao tempo e continua valendo mesmo para quem já conhece a cidade. Araucárias, hortênsias e azaleias se revezam a cada estação e deixam a paisagem no auge no inverno. Dá para fazer a volta a pé pelo caminho que contorna a água ou prolongar o passeio nos tradicionais pedalinhos em forma de cisne. É programa para reservar um tempo, não só para a foto de passagem.
Bairro Lago Negro, Gramado (RS)
A uns 20 minutos do centro, na Linha Nova, o Parque Olivas mostra a face rural da cidade. São mais de 12 mil pés de oliveira, além de trilhas, mirantes, horta, fazendinha, loja, restaurantes e experiências ligadas à produção de azeite, o suficiente para ocupar boa parte de um dia entre gastronomia e paisagem. Em agosto de 2026, o parque entra na programação de inverno da região, então vale checar a agenda antes de subir.
Rua Vereador José Alexandre Benetti, 1808, Linha Nova, Gramado (RS)
Le Jardin Parque de Lavanda
Na entrada de Gramado, já na rodovia rumo a Canela, o Le Jardin é o passeio mais contemplativo da lista. Jardins, cultivo de lavanda, estufas, loja e bistrô convidam a caminhar sem pressa entre as plantas, longe do burburinho do centro. A loja vende produtos feitos com a lavanda cultivada ali mesmo.
RS-115, entrada de Gramado (RS)
Palácio dos Festivais e Palácio do Kikito
No mesmo complexo, na Avenida Borges de Medeiros, ficam os dois endereços que traduzem o festival. O Palácio dos Festivais recebe as sessões competitivas e as cerimônias, com o tapete vermelho descendo pela Rua Coberta, quase em frente. Ao lado, o Palácio do Kikito abriga o Museu do Festival de Cinema de Gramado, reconhecido como o primeiro museu de cinema interativo da América Latina, com troféus, fotos e documentos de mais de cinco décadas de história, aberto à visita fora da época do evento.
Em 2026, a 54ª edição vai de 12 a 22 de agosto e abre em 14 de agosto com o suspense Antártida, de Bruno Safadi, fora de competição. Disputam o Kikito seis longas brasileiros de ficção, todos inéditos no país: Chorão: Só os Loucos Sabem, de Hugo Prata e Felipe Novaes; Feito Pipa, de Allan Deberton; Justino: Nos Bastidores do Reino, de José Eduardo Belmonte; Leite em Pó, de Carlos Segundo; Nosso Segredo, de Grace Passô; e Pele de Rinoceronte, de Marcello Ludwig Maia. A edição ainda entrega o Kikito de Cristal a Maria Fernanda Cândido e Selton Mello, e o Troféu Cidade de Gramado a Marcos Caruso. Quem estiver na cidade faz bem em olhar a programação do dia e garantir ingresso com antecedência.
Avenida Borges de Medeiros, Centro, Gramado (RS) • Museu: terça a domingo, das 11h às 19h, ingresso R$ 20
Numa casa de pedras na Praça das Etnias, o Museu Professor Hugo Daros guarda parte da memória de Gramado e das famílias que formaram a cidade. É uma boa forma de dedicar parte do dia à história local durante o festival, longe das telas. Em 2026, integra a mesma temporada do patrimônio cultural do Museu Nicoletti.
Praça das Etnias, Centro, Gramado (RS)
Ponto de encontro no centro, a Rua Coberta ferve durante o Festival de Cinema. Restaurantes, cafés e lojas ocupam o espaço, que também recebe parte da programação, incluindo o tapete vermelho e a cerimônia de abertura. É onde dá para sentir o clima do festival sem entrar numa sessão, com artistas, imprensa e público circulando pelo entorno.
Rua Madre Verônica, Centro, Gramado (RS)
Ainda na Praça das Etnias, a Casa do Colono mostra outro lado da Serra Gaúcha. Reúne o que os pequenos produtores da região fazem de melhor, de pães, cucas e geleias a queijos, embutidos e biscoitos, mais artesanato. Boa desculpa para provar a produção local e escapar dos sabores mais óbvios do circuito turístico.
Praça das Etnias, Centro, Gramado (RS)

