O príncipe Harry, de 42 anos, revelou ter enfrentado um período de depressão após se mudar para o Canadá com Meghan Markle e o filho mais velho do casal, Archie, de 7 anos. Em uma nova aula da plataforma MasterClass, com lançamento previsto para esta quinta-feira (08.10), o Duque de Sussex contou que sentiu uma mudança brusca em seu estado emocional poucos dias depois de deixar o ambiente de pressão ao qual estava acostumado. Além de Archie, os dois são pais de Lilibet, de 5 anos.
Na produção, intitulada Redefinindo o Luto: Construindo Resiliência Através da Perda, Harry conversa com a neurocientista Mary-Frances O’Connor sobre os efeitos físicos e emocionais do luto. Durante o encontro, ele relembra a viagem ao Canadá, no fim de 2019, quando buscava um período de tranquilidade ao lado da família.
“Estando no Canadá, longe do ambiente estressante onde presumivelmente meu corpo estava cheio de adrenalina, em dois ou três dias, experimentei essa queda brusca de adrenalina, algo que nunca havia sentido antes”, relatou.
Segundo Harry, a mudança de rotina provocou uma sensação de incapacidade para realizar atividades cotidianas. “Era como se eu precisasse de estresse para obter a adrenalina necessária para fazer meu cérebro funcionar, porque eu me tornava inútil em casa”, explicou. “Na verdade, entrei em depressão por cerca de duas semanas e senti que não conseguia funcionar sem adrenalina”, acrescentou.
Harry e Meghan passaram o fim de 2019 no Canadá com Archie, que havia nascido em maio daquele ano. Em janeiro de 2020, o casal anunciou a decisão de deixar suas funções como membros seniores da família real britânica. O duque explicou que a viagem tinha como objetivo encontrar um espaço longe das pressões que enfrentava. Segundo ele, a intenção era “ter um pouco de espaço, longe de tudo, para poder pensar”.
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Harry relembra crises de pânico e traumas após serviço militar
Ao longo da conversa, Harry também refletiu sobre como a morte da mãe, a princesa Diana, em 1997, influenciou sua vida. O duque tinha apenas 12 anos quando ela morreu em um acidente de carro em Paris.
Ele contou que passou boa parte da juventude evitando lidar diretamente com os sentimentos relacionados à perda. “Durante 15, 20 anos, quando me perguntavam: ‘Você está bem?’, minha resposta era: ‘Estou bem’. Era um torpor, um bloqueio emocional”, afirmou. “E sem que eu percebesse, a adrenalina me impulsionava, me guiava.”
Harry acredita que essa necessidade constante de estímulos também influenciou sua decisão de ingressar nas Forças Armadas aos 20 anos. “Foi a força motriz que me levou a entrar para as forças armadas aos 20 anos. Era a distração perfeita. Eu não conseguia pensar em muita coisa além da tarefa em questão”, explicou.
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Após retornar de sua segunda missão no Afeganistão, em 2013, o príncipe começou a perceber que algumas experiências vividas durante o serviço militar haviam despertado traumas anteriores. “As coisas que vi, as coisas que vivenciei, pareciam ter desencadeado outros traumas que estavam armazenados dentro de mim”, contou.
O duque também revelou que passou a enfrentar sintomas físicos associados ao estresse, incluindo crises de pânico. “Comecei a perceber que provavelmente estava seriamente esgotado quando o simples ato de vestir uma camisa social, o aperto da gola, literalmente me dava a sensação de estar sufocando, e eu chegava a ter crises de pânico no carro a caminho do trabalho”, relatou. “E foi aí que percebi: ‘Ok, tem algo maior, tem algo mais que você precisa investigar aqui'”, acrescentou.
Durante a aula, Mary-Frances O’Connor explica como situações prolongadas de estresse podem afetar o funcionamento do cérebro e do corpo. Ao ouvir a especialista falar sobre dificuldades de concentração e exaustão, Harry afirmou se identificar com a sensação de confusão mental. “Essa névoa mental é algo com que eu realmente me identifico”, declarou.
Príncipe Harry acreditava que Diana poderia voltar
Outro momento da conversa foi dedicado à dificuldade que Harry enfrentou para aceitar a morte da mãe. O príncipe revelou que, mesmo anos depois do acidente, ainda alimentava a esperança de que Diana estivesse viva.
“Eu acreditava que ela tinha criado essa saída para escapar de tudo que estava destruindo sua vida e que ela iria retornar disfarçada para depois nos levar, a mim e ao meu irmão, para longe dali”, contou, referindo-se também ao príncipe William.
A neurocientista explicou que a dificuldade em compreender definitivamente a ausência de uma pessoa querida pode estar relacionada à maneira como o cérebro estabelece vínculos afetivos.
Harry também falou sobre o sentimento de culpa que carregou durante anos ao experimentar momentos de felicidade sem a presença da mãe. “Passei muito tempo emocionalmente anestesiado, em grande parte porque me sentia desleal e culpado pela possibilidade de ser feliz e alegre sem ela”, confessou. “Sentia que precisava estar triste e emocionalmente anestesiado para provar a ela que sentia sua falta”, continuou.
Com o passar do tempo, no entanto, o príncipe afirmou ter mudado sua maneira de enxergar o luto. “Mas a verdade é que descobri que ela só queria que eu fosse feliz. E isso representou uma grande mudança de mentalidade para mim. Me libertou e me deu uma perspectiva completamente diferente da vida”, declarou.
Harry fala sobre manter vivo o legado de Diana
Atualmente, Harry acredita que seu envolvimento em projetos sociais e beneficentes representa uma maneira de preservar a memória da mãe. “Tudo o que eu faço, tudo em que dedico minha energia, espero que minha mãe se orgulhe disso”, afirmou.
Segundo o duque, foi apenas com o tempo que ele percebeu a semelhança entre as causas que escolheu apoiar e o trabalho desenvolvido por Diana. “Tentando dar continuidade e proteger seu legado, o que eu não percebi foi que o trabalho que acabei escolhendo, ou o trabalho pelo qual acabei me envolvendo e me atraindo, era muito semelhante ao trabalho que ela fazia”, explicou.
“Com o luto vem isso, não tanto a responsabilidade, mas o ato de carregar a pessoa que você perdeu ao longo da vida”, refletiu. “Há um elemento de carregar minha mãe dentro de mim que, em última análise, me energiza para o trabalho que faço.”
A nova MasterClass foi gravada na Califórnia e será lançada às vésperas do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro. O projeto também beneficiará duas organizações que oferecem apoio a pessoas enlutadas: Comfort Zone Camp e Scotty’s Little Soldiers, instituição apoiada há anos pelo príncipe Harry.

