A Bolívia enfrenta uma intensificação dos protestos antigoverno, com 23 bloqueios de rodovias registrados nesta segunda-feira (18), a maioria concentrada nos arredores da capital La Paz. A mobilização, que busca a renúncia do presidente Rodrigo Paz, empossado há apenas seis meses, tem causado escassez de alimentos e combustíveis. Relatos da imprensa indicam que manifestantes convergem para o centro de La Paz, enquanto confrontos recentes em El Alto resultaram em 47 prisões, cinco feridos e denúncias de dois assassinatos, conforme a Defensoria Pública. O órgão também registrou ataques à imprensa e conflitos entre manifestantes e moradores.
Escalada da Revolta Popular
O país andino tem sido palco de uma crescente revolta popular, com a união de diversos setores sociais como camponeses, indígenas, mineiros e professores. As manifestações, que se iniciaram com a remoção de subsídios à gasolina no começo do mandato de Rodrigo Paz, escalaram após a promulgação de uma lei de terras. Essa legislação, acusada por grupos sociais de favorecer o agronegócio em detrimento dos pequenos agricultores, apesar de ter sido revogada pelo presidente na semana passada em resposta à pressão, não conseguiu conter os protestos, que seguem ganhando força.
Petição dos Movimentos Sociais
Organizações camponesas, como a Confederação Nacional de Mulheres “Bartolina Sisa”, têm convocado a adesão massiva aos protestos, acusando o governo de reprimir violentamente as manifestações enquanto alega abertura para o diálogo. A Confederação denunciou o uso de força policial e militar que resultou em falecidos, feridos e detidos, argumentando que o presidente Paz perdeu a legitimidade para governar. A entidade também critica a administração por supostamente beneficiar setores privilegiados e buscar apropriação de terras através de leis inconstitucionais.
Ponto de Vista Governamental
Em contrapartida, o governo boliviano acusa os movimentos populares de recorrerem à violência, utilizando armas de fogo e dinamite, e divulgou um vídeo que alegadamente mostra um grupo campesino armado. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, atribuiu a incitação à violência a grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales, advertindo que qualquer indivíduo portando armas será preso, qualificando os atos como uma ameaça à ordem.
Posicionamento de Evo Morales
O ex-presidente Evo Morales refutou as acusações, afirmando que os protestos emanam do povo boliviano e não de sua influência. Ele criticou veementemente a repressão governamental por meio das Forças Armadas e a criminalização das manifestações. Morales também rechaçou as alegações de conspiração, terrorismo e tráfico de drogas feitas contra os manifestantes, apontando que a verdadeira ameaça à democracia viria dos “eternos golpistas” que ele acusa de estarem no poder.

