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Lula em Barcelona: Presidente Defende Coerência Progressista e Critica Desigualdade Global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em Barcelona, Espanha, da primeira edição do evento Mobilização Progressista Global (MPG). O encontro reuniu ativistas e organizações de esquerda de diversas partes do mundo com o objetivo de defender a democracia com justiça social e combater o avanço de forças autoritárias de extrema-direita.

Discursando para mais de 5 mil pessoas, incluindo chefes de Estado, Lula abriu sua fala incentivando os presentes a não sentirem vergonha de se apresentarem como progressistas ou de esquerda no mundo atual. Ele ressaltou que "Ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade".

Ao destacar os avanços que o campo progressista alcançou para grupos sociais como trabalhadores, mulheres, população negra e comunidade LGBTQIA+, o presidente ponderou que a esquerda não conseguiu superar o pensamento econômico dominante, abrindo caminho para forças reacionárias. Lula afirmou que "O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda sim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente agora como antissistema".

A Coerência como Primeiro Mandamento Progressista

O presidente brasileiro reforçou que a coerência deve ser o primeiro mandamento dos progressistas. "Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo, mesmo que boa parte da população não se veja como progressista. Ela quer o que nós propomos. Ela quer comer bem, morar bem, escolas de qualidade, hospitais de qualidade, uma política climática séria e responsável, uma política de meio ambiente à altura. Ela quer um mundo limpo e saudável, um trabalho digno, com jornada de trabalho equilibrada, um salário que permite uma vida confortável", defendeu.

Segundo Lula, a extrema-direita soube capitalizar o mal-estar gerado pelas promessas não cumpridas do neoliberalismo. Ele completou que a extrema-direita "canalizou a frustração das pessoas inventando mentiras e mais mentiras, falando das mulheres, dos negros, da população LGBTQIA+, dos imigrantes, ou seja, todas as pessoas mais necessitadas, que passaram a ser vítimas do discurso de ódio".

Fórum Democracia Sempre e a Crítica aos Bilionários

Mais cedo, em Barcelona, o presidente também participou da quarta edição do Fórum Democracia Sempre, ao lado de outros líderes internacionais, como Pedro Sánchez (Espanha) e Gustavo Petro (Colômbia). À plateia, Lula afirmou ser preciso apontar os poucos bilionários que concentram a maior parte da riqueza mundial como os verdadeiros culpados pela crise socioeconômica atual. Ele criticou a "falácia da meritocracia", a exploração do trabalhador, a destruição da natureza e a manipulação de algoritmos, declarando que "a desigualdade não é um fato, é uma escolha política. O que faz de nós progressistas, é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser sempre estar ao lado do povo".

Condenação aos "Senhores da Guerra" e Defesa do Sul Global

Lula reiterou suas críticas aos líderes de países com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, chamando-os de "senhores da guerra". Ele criticou os bilhões de dólares gastos em armas, que poderiam ser utilizados para combater a fome, resolver o problema energético e garantir acesso à saúde globalmente. O presidente destacou que "O Sul Global paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou. É tratado como quintal das grandes potências, sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis. Volta a ser visto como mero fornecedor de matérias-primas." Ser progressista na arena internacional, concluiu, é defender um multilateralismo reformado, a paz, o combate à fome, a proteção ambiental e restituir a credibilidade da ONU.

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