Aumentam as tensões no Oriente Médio devido às trocas de ameaças entre Estados Unidos e Irã, gerando preocupações sobre o preço do petróleo no mercado internacional e a estabilidade de outros países da região. A escalada envolve presença militar norte-americana, ultimatos e a intensificação de conflitos.
Pressão Militar dos EUA e Ameaças Recíprocas
Os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Oriente Médio, enviando o porta-aviões Abraham Lincoln e ameaçando realizar ataques 'muito piores' que os de junho de 2025, caso Teerã não negocie um acordo que o impeça de desenvolver armas nucleares. Historicamente, americanos e israelenses bombardearam instalações militares e nucleares iranianas, com o país persa respondendo com mísseis contra Israel. O presidente Donald Trump utilizou as redes sociais para alertar que 'o tempo está se esgotando'. Contudo, a mídia estatal iraniana reporta que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, negou ter solicitado negociações ou entrado em contato com o enviado especial dos EUA.
O Estreito de Ormuz: Geopolítica e Economia do Petróleo
Em resposta à crescente pressão, autoridades do Irã emitiram um alerta à navegação marítima no estratégico Estreito de Ormuz, na saída do Golfo Pérsico, anunciando a realização de exercícios militares na rota por onde circulam aproximadamente 20% do petróleo mundial. O possível fechamento do estreito, considerado uma retaliação a ataques anteriores, é uma das principais preocupações econômicas apontadas por analistas, já que o Irã possui a terceira maior reserva e é o quinto maior produtor de petróleo. Economistas indicam que a 'possibilidade de o Irã ser atingido' já elevou o preço do barril em até quatro dólares, impactando também outros membros da Opep banhados pelo Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Protestos Internos e Reação Global
A pressão de governos ocidentais sobre o Irã aumentou no início de 2026 com o recrudescimento de protestos contra o regime teocrático que governa o país. Manifestantes contestam a falta de liberdade política e o alto custo de vida, parcialmente atribuível às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e aliados. Conflitos entre forças de segurança e manifestantes resultaram em mais de 6 mil mortos e 40 mil presos, segundo associações de direitos humanos, enquanto o governo iraniano fala em 3 mil mortos, classificando parte deles como terroristas. Teerã culpa interferência estrangeira pelos protestos, lançando mão de repressão severa, incluindo o bloqueio da internet no país.
Sanções Europeias e Ameaças Recíprocas
A repressão aos protestos gerou forte reação de países europeus, que aprovaram novas sanções contra autoridades e instituições do Irã, classificando a Guarda Revolucionária Iraniana como organização terrorista. A chefe da Diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que 'quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista' e que 'qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo está a trabalhar para a própria queda'. Fontes da Reuters confirmam que o presidente Trump considera opções como ataques direcionados a forças de segurança e líderes iranianos para inspirar os manifestantes. Em contrapartida, o Irã ameaça atacar bases norte-americanas em países vizinhos, como Catar e Barein, em caso de intervenção.

