Países árabes do Golfo Pérsico cancelaram uma reunião agendada com Irã e Omã para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz. A decisão ocorre em um momento de escalada, com novos ataques dos houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita, o que agrava as preocupações com o abastecimento global de petróleo. O Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o transporte de petróleo mundial, tem operado com restrições desde ataques no final de fevereiro. O adiamento da reunião foi anunciado pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, justificando-o como necessário 'em prol do consenso', enquanto o Irã indicou que a solicitação partiu da Arábia Saudita.
Escalada de Ataques Houthi na Arábia Saudita
Os houthis, grupo alinhado ao Irã, reivindicaram a autoria de dezenas de disparos de mísseis e drones contra uma base aérea militar saudita em Khamis Mushait. Este ataque, descrito como retaliação por centenas de ofensivas aéreas sauditas no Iêmen, atingiu hangares, sistemas de radar, pistas de decolagem e depósitos de munição. As autoridades sauditas emitiram alertas de emergência na região e em outras três cidades do Sul, que já haviam sido alvo de ações houthi. Além disso, os houthis tomaram uma ilha estratégica na foz do Mar Vermelho e causaram danos ao oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, uma rota crucial que contorna o Estreito de Ormuz.
Impacto Global: Disparada dos Preços do Petróleo
Os preços do petróleo bruto registraram um aumento superior a 3% no mercado internacional após o fim de semana, com o diesel nos Estados Unidos atingindo um novo recorde de preço de varejo, ultrapassando US$6,23 por galão. Analistas do mercado financeiro alertam que o fechamento do oleoduto saudita pode reduzir o abastecimento global de petróleo em até 4%, caso a interrupção se prolongue. Imagens de satélite confirmam que trechos do oleoduto foram danificados por incêndios.
Em paralelo, o Irã divulgou uma lista de 77 navios que, segundo o país, violaram seus protocolos de operação no Estreito de Ormuz. Essas embarcações podem enfrentar restrições em futuras passagens, incluindo multas, detenção ou confisco, com penalidades adicionais para outras que as auxiliem aceitando transferências de carga.

