O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua retórica em relação a Cuba, afirmando ter o poder de "fazer o que quiser" com o país. As declarações surgem em um momento delicado, quando Washington e Havana iniciaram conversações visando melhorar suas relações historicamente tensas, que se agravaram significativamente nas últimas décadas.
Punições e Objetivos Americanos
Trump expressou abertamente a "honra" de "tomar Cuba de alguma forma", proferindo essas palavras enquanto a ilha enfrenta uma crise econômica sem precedentes, exacerbada por um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA. Ele reiterou sua convicção de que poderia "liberar" ou "tomar" o país à sua vontade.
Após as declarações de Trump, o New York Times noticiou que a destituição do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, é um dos principais objetivos dos EUA nas negociações bilaterais. Fontes indicaram que os norte-americanos sinalizaram essa intenção, embora deixem os próximos passos a cargo de Cuba, que tradicionalmente rejeita qualquer interferência em seus assuntos internos, considerando-a um obstáculo a acordos.
Escalada da Pressão e Impacto em Cuba
Em resposta, Díaz-Canel, que assumiu a presidência em 2018, manifestou a esperança de que as negociações ocorram "sob princípios de igualdade e respeito pelos sistemas políticos de ambos os países, soberania e autodeterminação". Contudo, Trump intensificou a pressão ao interromper todas as remessas de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçar impor tarifas a qualquer país que comercie petróleo com a ilha, sugerindo que Cuba seria "a próxima" após ações contra Venezuela e Irã.
Crise Humanitária e Econômica na Ilha
Como resultado das medidas americanas, Cuba relatou não receber carregamentos de petróleo há três meses, o que forçou um severo racionamento de energia, levando a interrupções prolongadas e à paralisação de grande parte de sua economia. Recentemente, a rede elétrica do país sofreu um colapso total, deixando 10 milhões de pessoas sem energia.
Antecedentes Históricos e Questões Legais
Historicamente, presidentes dos EUA têm se oposto ao governo comunista de Cuba, mas Washington honrou sua promessa de não invadir a ilha ou apoiar invasões, conforme o acordo que resolveu a Crise dos Mísseis de 1962. A Casa Branca, no entanto, ainda não detalhou a base legal para qualquer possível intervenção militar em Cuba.

