Brasileiros buscam por maconha no Uruguai para "relaxar" em final da Libertadores

Por Redação em 27/11/2021 às 19:28:39

Uma das perguntas que os funcionários da farmácia Antártida, no centro de Montevidéu, mais ouviram nos últimos dias foi: “Como faço para comprar maconha?”. O questionamento partiu de torcedores brasileiros que estão na capital uruguaia para acompanhar a final da Copa Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, neste sábado, 27, no Centenário. A decisão continental impulsionou a busca pela cannabis no Uruguai, primeiro país do mundo a legalizar o cultivo e consumo da erva. Alguns torcedores contaram que queriam “relaxar” antes do jogo. Os brasileiros que foram às farmácias em busca de maconha se decepcionaram porque a droga não é vendida a estrangeiros no país. Segundo a lei que o Parlamento do Uruguai aprovou em 2013, a aquisição da maconha, por qualquer de suas vias, está restrita a uruguaios maiores de 18 anos ou residentes legais no país.

Dessa maneira, o jeito para flamenguistas e palmeirenses que queriam experimentar a cannabis uruguaia foi consegui-la com residentes do país vizinho. Uma comunicação rápida com uruguaios foi suficiente para constatar que os turistas conseguiam adquirir legalmente a droga de pessoas cadastradas no sistema do governo. Na Avenida 18 de Julio, via mais famosa e movimentada em Montevidéu, era comum ver torcedores informais oferecendo a erva para turistas num mercado informal. Ela possui níveis de THC, o componente psicoativo da droga, superiores aos da maconha comercializada na farmácia. O governo não permite que a porcentagem seja maior do que 9%. “O que chama a atenção é a qualidade, o preço da maconha uruguaia e a tranquilidade de fumar na rua sem se preocupar com a fiscalização”, conta um torcedor rubro-negro que falou sob anonimato ao Estadão.

O Uruguai permite o consumo de drogas desde a década de 70, mas a falta de regulamentação sobre o que era uso pessoal levava a processos por até 10 gramas. Há sete anos, o Parlamento aprovou a lei que fixou três vias excludentes entre si para a aquisição da erva. Todos os uruguaios ou residentes legais podem adquirir até 40 gramas por mês em farmácias, ou 10 por semana, pertencer a um clube de consumidores com 15 a 45 integrantes ou cultivar em casa até seis pés. Nas farmácias, cada pequeno pacote com 5 gramas é vendido por 370 pesos uruguaios, algo próximo de R$ 45. O valor não é muito diferente do que cobram os vendedores informais nas ruas da capital do país vizinho. Há mais de 8 mil cultivadores registrados e 78 clubes de consumo. A venda em farmácia, via que contempla a maior quantidade de consumidores, foi iniciada em 2017. Das mil farmácias no país, 16 aderiram ao plano inicialmente. Hoje, porém, em Montevidéu, apenas nove continuam habilitadas a vender a erva. A desistência de comercializar o produto é resultado, em parte, da pressão do sistema financeiro, que começou a fechar algumas contas bancárias.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

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