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Mulher com doença rara doa remĂ©dio para menina com a mesma condição no RS: 'não vai correr mais risco'

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Por Redação em 14/05/2024 às 05:28:48
Elas têm diabetes insípidus, uma condição que afeta o controle da saída de água do corpo. Por conta das enchentes, a medicação necessária acabou em Canoas e a doação salvou a vida da menina. À esquerda, medicamento que salvou a vida de Ester. À direita, situação da região onde a menina morava com a família em Canoas (RS)

Arquivo pessoal

Uma moradora de Santos(SP) com diabetes insípidus, salvou a vida de uma menina, de 12 anos, que tem a mesma doença rara e mora em Canoas, uma das cidades do Rio Grande do Sul mais afetadas pelas enchentes. A técnica de Enfermagem, Jaqueline Silva, de 40, doou o remédio que mantém Ester de Lima viva.

A diabetes insípidus é a falta ou a incapacidade de ação do hormônio antidiurético. Sem o remédio desmopressina, que reduz a produção de urina, o paciente sente mais sede e vai mais vezes ao banheiro, o que desequilibra o organismo e pode levar a uma parada cardíaca.

A mãe de Ester e também técnica de enfermagem, Renata de Lima, de 46, contou ao g1 que o imóvel onde morava com a filha foi destruída pelas águas. A menina está na casa de um tio, com o pai e avó paterna, enquanto ela está abrigada na casa de uma amiga. As duas estão em segurança em Canoas.

Ester tem craniofaringioma, um tumor benigno que causou diabete insípidus e perda de visão aos 4 anos. Renata explicou que foi comprar a desmopressina para filha e, por conta das enchentes, tinham apenas duas caixas nas farmácias por R$ 370 cada, valor R$ 100 acima do que costuma pagar.

"Eu fiquei desesperada porque são oito anos nessa luta e eu já vi a minha filha em estado de quase morte muitas vezes. É a pior sensação do mundo", lamentou a mãe de Ester.

Moradora de Canoas (RS), Ester de Lima, ganhou o medicamento que a mantém viva

Arquivo pessoal

Esperança

Por um tempo, Jaqueline teve que ingerir menor quantidade do medicamento para uma cirurgia e tinha dez caixas sobrando em casa. Assim que Renata pediu ajuda em um grupo nas redes sociais de pessoas com diabetes insípidus, a moradora de Santos não pensou duas vezes.

"A minha vontade era tão grande de enviar a medicação. Quando a gente se coloca no lugar das pessoas, temos empatia. Eu tenho a mesma doença e eu sei o quanto é ruim ficar sem remédio [...] Corremos risco de vida [de morte]", afirmou Jaqueline.

O problema foi em como o remédio chegaria em Canoas sem se perder com as doações do público geral. Com ajuda da Força Aérea Brasileira (FAB) de Guarujá (SP), um soldado buscou a caixa com os medicamentos na casa de Jaqueline e entregou nas mãos de Renata na última sexta-feira (10).

À esquerda, a moradora de Santos (SP), Jaqueline Silva. À direita, mãe de Ester recebendo o medicamento da FAB de Guarujá (SP)

Arquivo pessoal

Agora, Ester tem medicamento o suficiente para aproximadamente seis meses. "Com os remédios da Jaqueline, foi um alívio tão grande de que ela não vai correr mais risco de vida [de morte]. Não tenho nem palavras para saber como agradecer", finalizou Renata.

Assim que a situação em Canoas melhorar, Renata quer encontrar Jaqueline pessoalmente para agradecer a doação. A moradora de Santos também afirmou à equipe de reportagem que não vê a hora de abraçar Ester e a mãe dela.

Diabetes insípidus

A diabetes insípidus pode ser a falta ou a incapacidade de ação do hormônio antidiurético, que controla a saída de água do corpo. Esta condição leva a uma maior produção de urina e uma sensação frequente de estar com sede.

Sem o tratamento adequado, o paciente pode chegar a beber entre 20 e 30 litros de água por dia, desequilibrando os eletrólitos -- minerais que circulam no organismo. Estas consequências podem causar uma parada cardíaca, que leva a morte.

Enchentes no Rio Grande do Sul

Imagem aérea mostra alagamento em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre

Carlos Macedo/AP

Com duas mortes confirmadas nesta segunda-feira (13), o Rio Grande do Sul chegou a 147 vítimas dos temporais e cheias que atingem o estado desde o final de abril. O boletim da Defesa Civil ainda contabiliza 127 desaparecidos e 806 feridos.

O número de pessoas fora de casa subiu para mais de 619 mil. Quase 81 mil estão em abrigos e 538 mil estão desalojados (em casa de amigos e parentes).

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