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Propina para milĂ­cia, achacados chamados de 'padrinhos', papo livre sobre corrupção em grupo de Whatsapp do batalhão: como agiam PMs presos por corrupção

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Por Redação em 15/05/2024 às 04:04:11
Investigação do MP e da Corregedoria revela a naturalidade com que policiais militares tratavam a cobrança de propina e variedade de formas de lucrar: da venda de pneus de carros apreendidos à negociação com bandidos para recuperar veículos roubados e faturar prêmios de seguradoras. MP faz operação contra 14 PMs acusados de cobrar taxas

Os policiais militares presos por vender armas e drogas apreendidas em operações conversavam livremente e "sem qualquer pudor" sobre os esquemas de corrupção em um grupo de WhatsApp do 39Âș BPM (Belford Roxo), criado para discutir assuntos relacionados ao batalhão, segundo o Ministério Público do Rio (MPRJ).

"(...) Os denunciados integravam um grupo de WhatsApp denominado 'STR ALFA 39Âș BPM', meio do qual eram discutidos assuntos relacionados ao referido setor do aludido batalhão", diz a denúncia do MPRJ.

"Ocorre que neste mesmo grupo eram trocadas diversas mensagens em que os denunciados, sem qualquer pudor, falavam sobre esquemas de corrupção mantidos entre eles e sobre a incessante busca por novos 'padrinhos', ou seja, comerciantes que poderiam pagar valores aos policiais militares em troca de uma maior segurança em seus comércios."

Ao todo, 13 PMs foram presos, nesta terça-feira (14), na Operação Patrinus, do MPRJ e da Corregedoria da Polícia Militar. Até a última atualização desta reportagem, 1 PM ainda era procurado.

Segundo os promotores, além de extorquir dinheiro de lojistas, motoristas de transporte alternativo e de mototaxistas, o grupo também cobrava propina — R$ 100 semanais — dos milicianos de Belford Roxo para eles "continuassem exercendo suas atividades criminosas sem serem incomodados pela Polícia Militar."

Os donos de estabelecimentos achacados eram chamados de padrinhos pelo grupo — daí o nome da operação, no latim patrinus.

O MPRJ afirma ainda que os policiais faziam acordos com traficantes e recebiam "prêmios" para recuperar carros roubados.

Quando os carros eram recuperados, os PMs ainda retiravam algumas peças (pneus, rodas e baterias), para vender no mercado clandestino. Em uma mensagem, um dos presos diz que negociou quatro pneus por R$ 450.

"450 $ cada pneu. A roda é de ferro. Ele não quis."

Todos os policiais militares presos viraram réus por organização criminosa, corrupção passiva e peculato.

MPRJ e Corregedoria da PM cumprem mandado na Operação Patrinus

Reprodução/TV Globo

Alvo já era réu

O principal alvo da Operação Patrinus, também preso nesta terça, é o cabo Júlio Cesar Ferreira do Santos, réu pelo assassinato de 2 jovens em dezembro de 2020.

A abordagem foi flagrada por câmeras de segurança. As imagens mostram o momento em que as vítimas caem de moto após um disparo de fuzil. Os corpos de Edson Arguinez Junior, de 20 anos, e Jordan Luiz Natividade, de 18 anos, foram encontrados numa região controlada pela milícia, em Belford Roxo.

O cabo Júlio Cesar e o soldado Jorge Luiz Custódio da Costa chegaram a ser presos na época do crime, mas respondem pelos homicídios em liberdade. A investigação mostrou que os 2 PMs tinham ligações com milicianos. O processo está em fase de alegações finais.

O cabo Júlio Cesar Ferreira do Santos

Reprodução
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