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VoluntĂĄrio do ParanĂĄ relata insegurança de vĂ­timas de enchentes no RS para receberem ajuda de desconhecidos: 'ViolĂȘncia grande'

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Por Redação em 15/05/2024 às 12:52:08
Gabriel Bonfim é guarda-vidas e atuou no estado gaúcho por seis dias ao lado de outros 29 voluntários paranaenses. Em um dos resgates, que foi gravado, idosa ficou receosa em abrir a porta de casa. Voluntários do Paraná registram 'negociação' com vítimas de enchentes no RS para tirá-las

O paranaense e guarda-vidas Gabriel Bonfim, que atuou como voluntário em cidades alagadas no Rio Grande do Sul, relatou a dificuldade de realizar resgates de vítimas por conta da insegurança que o estado vive – para além da enchente, que matou 149 pessoas, há relatos de crimes como roubos e saques.

Em um prédio tomado pela água em Porto Alegre, ele e outros voluntários gravaram pessoas presas no local que, mesmo precisando de ajuda, tiveram dúvida se podiam confiar no grupo. Assista acima.

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"A gente queria ficar dia e noite nas missões de buscar o pessoal [...] Só que, infelizmente, a violência lá estava muito grande. Várias vezes escutamos troca de tiro", falou.

No vídeo é possível ver que os guarda-vidas chamam por uma senhora que estão buscando, se apresentam como bombeiros e batem à porta.

Os moradores ficam receosos e pedem para os dois se identificarem novamente. É possível a ouvir um morador dizer que as pessoas não sabem se eles são bombeiros, de fato.

Prontamente, os voluntários explicam que estão no local para ajudar no resgate.

Conversa entre bombeiros e morador ilhado no RS mostra medo de vítimas da cheia aceitarem ajuda de desconhecidos

Arquivo pessoal/Gabriel Bonfim

"Nós entendemos vocês, pessoal. Tem muita gente ruim aí, mas a gente tá aqui pra ajudar", falou Gabriel.

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Em seguida, ele explica aos moradores a importância de saírem de casa e irem para um abrigo, que atendem o pedido. Eles estiveram no prédio antes do nível do Guaíba voltar a subir com novas chuvas que atingiram o estado.

Ao fim do resgate, eles convencem a idosa e outras pessoas a deixarem o local. Todos são tirados do prédio em um barco.

Vítimas de enchentes aceitaram sair de casa após terem contato com grupo de voluntários do Paraná

Arquivo pessoal/Gabriel Bonfim

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Gabriel é de Guaratuba, no litoral do Paraná. Ele conta que saiu para a missão em dia 6 de maio, com um grupo de 30 voluntários.

Além de Porto Alegre, os voluntários paranaenses também prestaram auxílio em Eldorado do Sul.

O guarda-vidas relatou que nunca viu o cenário igual ao que encontrou no Rio Grande do Sul. Disse ainda que a água estava muito suja e com cheiro forte.

"A gente saiu daqui [Paraná] e não tinha ideia do que ia encontrar. Encontramos uma situação de guerra, muito complicada", falou.

Parte do grupo que saiu do Paraná para atuar nos resgates no Rio Grande do Sul

Arquivo pessoal

Animais também foram resgatados pelo grupo

Voluntários do Paraná atuam em cheias do Rio Grande do Sul

Gabriel Bonfim

Segundo Gabriel, o grupo retornou da missão no último domingo (12). Em seis dias de trabalho, os voluntários resgataram, além de pessoas, muitos animais - entre eles cães, gatos e até um búfalo.

O guarda-vidas contou que o grupo ficou alojado em um hotel de Porto Alegre, onde recebiam roupa quente e comida.

"Passava das 7 da manhã às 7 da noite molhado. Então quando a gente chegava, precisava só de um banho quente e se agasalhar pra no outro dia estar pronto [...] A gente só queria salvar vidas, não queria nem voltar pro alojamento. Se deixasse, a gente queria ficar dia e noite nas missões de buscar o pessoal, tirar os cachorros das casas, levar mantimento", compartilhou.

Um dos colegas da missão, o também guarda-vidas Arthur Goslar de Carvalho, contou que o sogro, que estava na equipe, adotou um dos cães resgatados na enchente. Antes, veterinários e outros voluntários procuraram saber se o animal tinha dono.

Voluntário do Paraná relata insegurança e 'cenário de guerra' em cidades alagadas no RS

Gabriel Bonfim

"A gente resgatou 25 cachorros na região do estádio do Grêmio. Um desses veio no meu colo ali no barco, então decidi que seria ele", disse.

Arthur também disse que a experiência de ajudar nos resgates foi única. Ele lembra que se emocionou quando recebeu uma carta enviada por uma das crianças resgatadas pelo grupo.

Cartinha recebida pelas crianças no Rio Grande do Sul

Arquivo pessoal

O que diz a segurança pública do RS

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul informou que o governo estadual atua para combater todo tipo de crime, como saques e furtos nas ruas. Disse ainda que, nas áreas alagadas, o patrulhamento da Brigada Militar (BM) é feito em botes e barcos.

"A situação dos abrigos, onde se encontram cerca de 76 mil pessoas, também é monitorada constantemente. Entre os dias 2 e 13 de maio, foram realizadas 94 prisões pela BM e pela PC", diz a nota.

Ainda segundo a pasta, algumas medidas foram tomadas para reforçar a segurança neste período, como suspensão de férias dos servidores da BM e convocação de profissionais que estavam na reserva e patrulhamento intensivo.

A secretaria não informou número de ocorrências registradas desde o início das cheias, mas há registros de saques a lojas e ataques a barcos de resgate.

*Com colaboração de Caroline Maltaca, assistente de produtos digitais.

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